Política

Agente da Polícia Federal réu por tentativa de golpe declara admiração por Alexandre de Moraes

Interrogatório no STF revela que agente investigado estudou Direito por livros do ministro e nega envolvimento em trama golpista

O agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares, réu em ação penal sobre tentativa de golpe no governo Bolsonaro, declarou nesta segunda-feira (28) ser fã do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

Durante o interrogatório, Wladimir afirmou ter estudado Direito pelos livros de Moraes e negou participação nos crimes investigados, dizendo-se inocente diante das acusações da Procuradoria Geral da República.

Interrogatório dos réus do núcleo 3

Nesta segunda-feira, todos os dez réus do núcleo 3 da suposta trama golpista foram interrogados pelo STF. Entre eles, Wladimir Matos Soares foi o único civil a depor, enquanto os demais são militares, incluindo ativos e reservistas do Exército, especialistas em operações especiais conhecidos como “kids pretos” ou “forças especiais” (FE).

Segundo a Polícia Federal, o núcleo 3 é acusado de planejar ações táticas dentro da tentativa de golpe. Entre os planos atribuídos ao grupo está o “Punhal Verde e Amarelo”, um detalhado planejamento operacional que teria como objetivo assassinar o então presidente eleito Lula e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin em 15 de dezembro de 2022.

Depoimento e declarações de Wladimir

Durante o interrogatório, Wladimir relatou que, em 2016, participou da segurança pessoal de Alexandre de Moraes durante as Olimpíadas, quando o ministro ocupava o cargo de Ministro da Justiça. “Eu era muito fã dele, porque quando me formei em Direito eu estudei pelo livro dele. Eu fiz a segurança dele”, declarou Wladimir.

O depoimento de Wladimir Matos Soares ganhou destaque por sua admiração declarada a Alexandre de Moraes, que atualmente é o relator do processo no STF. Apesar de sua ligação anterior com o ministro, Wladimir negou enfaticamente qualquer envolvimento nos fatos investigados pela ação penal.

Em sua fala inicial, o agente da Polícia Federal afirmou: “Eu me declaro inocente”. Ele contestou as acusações feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR) e reforçou que não participou de nenhuma das ações atribuídas ao núcleo 3, que incluem o planejamento do atentado contra Lula e Alckmin.

O caso segue em análise no STF, com os depoimentos dos demais réus militares também sendo considerados na investigação sobre a tentativa de golpe e os planos de ações táticas atribuídos ao grupo.