Israel anunciou neste sábado (26) a retomada dos lançamentos aéreos de comida para a Faixa de Gaza, após uma pausa temporária motivada por questões de segurança. A medida visa aliviar a crise humanitária no enclave, onde milhares enfrentam escassez de alimentos devido ao bloqueio e aos recentes conflitos.
Além da retomada, o exército israelense informou que estabelecerá corredores humanitários para facilitar o acesso de comboios da ONU com alimentos e medicamentos à população local.
Crise humanitária e medidas emergenciais
A Faixa de Gaza está sob bloqueio israelense há anos, restringindo severamente a entrada de suprimentos essenciais. O agravamento dos confrontos recentes intensificou a crise, levando à necessidade de lançamentos aéreos de alimentos. Segundo comunicado militar, os lançamentos incluirão sete paletes de ajuda com farinha, açúcar e alimentos enlatados, fornecidos por organizações internacionais.
O exército israelense também anunciou a criação de corredores humanitários e pausas em áreas densamente povoadas para permitir a movimentação segura de comboios da ONU. A decisão ocorre após mais de 100 agências humanitárias alertarem para o avanço da fome em massa no enclave.
Na sexta-feira (25), Israel já havia sinalizado a retomada da ajuda aérea, mas sem confirmar a data. O anúncio oficial veio neste sábado, em resposta à pressão internacional e à deterioração das condições em Gaza.
Reações internacionais
O Reino Unido anunciou que intensificará sua atuação humanitária em Gaza, incluindo a evacuação de crianças feridas e doentes e o envio de suprimentos por via aérea. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer discutiu o tema com Emmanuel Macron, presidente da França, e Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, defendendo um plano robusto para transformar um possível cessar-fogo em paz duradoura, com participação de outros países da região.
Desafios e críticas à distribuição de ajuda
A retomada dos lançamentos aéreos ocorre em meio a relatos de fome extrema e desnutrição severa entre os dois milhões de habitantes de Gaza. Segundo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), pelo menos 45 pessoas morreram de fome desde o início da semana. O World Food Program (WFP) afirmou que quase um terço da população local “não come durante dias seguidos”.
Especialistas e ONGs criticam o modelo de distribuição aérea, apontando impacto limitado e incerteza sobre a chegada dos suprimentos à população. A ONU defende a remoção de bloqueios terrestres como solução mais eficaz. O governo Netanyahu, por sua vez, culpa a ONU e o Hamas por dificultar a entrega dos alimentos, enquanto organizações humanitárias alegam boicote israelense ao sistema de ajuda.
Desde o início do conflito, após o ataque de 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 israelenses e resultou em 250 reféns, a operação militar de Israel em Gaza já causou mais de 59.100 mortes, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A ONU classifica a situação como um “show de horrores”, com fome em massa se espalhando pelo território.