A FAO declarou que a fome em Gaza atingiu a fase 5, a mais severa da escala internacional, afetando pelo menos 500 mil dos 2 milhões de habitantes. O território enfrenta falta extrema de alimentos, desnutrição grave e alta mortalidade. Israel voltou a permitir a entrada de alimentos por via aérea após críticas internacionais.
O que significa a fase 5 da fome segundo a ONU
A Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), elaborada pela FAO, define a fase 5 como “catástrofe humanitária”. Isso ocorre quando pelo menos 20% das famílias enfrentam falta extrema de alimentos, e 30% das crianças sofrem de desnutrição aguda. Alternativamente, o limiar pode ser atingido com 15% de desnutrição aguda global, medida pela Circunferência Média do Braço, acompanhada de agravamento rápido dos fatores subjacentes, como falta de acesso a água potável e alimentos.
Na Cidade de Gaza, a desnutrição aguda atingiu 16,5% na primeira quinzena de julho, ultrapassando o limiar crítico. O relatório do IPC aponta: “Crescentes evidências mostram que a fome generalizada, a desnutrição e as doenças estão provocando aumento nas mortes relacionadas à fome”. O documento ainda ressalta que o consumo de alimentos já atingiu níveis críticos na maior parte da Faixa de Gaza.
Além disso, a fase 5 prevê uma taxa de mortalidade mínima de 2 mortes não relacionadas a traumas para cada 10.000 pessoas por dia. Uma análise de maio de 2025 já projetava que toda a população enfrentaria altos níveis de insegurança alimentar aguda, com meio milhão de pessoas em situação de catástrofe humanitária.
Crise humanitária e conflito armado
Desde outubro de 2023, a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza resultou em pelo menos 60 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. A ONU e órgãos humanitários consideram esses números confiáveis e apontam que a maioria das vítimas são civis, mulheres e crianças.
O conflito teve início após um ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 israelenses e levou mais de 250 pessoas como reféns para Gaza. Em resposta, Israel intensificou operações terrestres e bombardeios, devastando bairros inteiros e provocando deslocamentos forçados de parte dos 2,3 milhões de habitantes do território.
Distribuição de ajuda e impasses
Israel, criticado pelo modelo de distribuição de ajuda humanitária, voltou a permitir a entrada de alimentos por via aérea. O país responsabiliza a ONU e o Hamas por dificultar a chegada de suprimentos à população palestina. Por outro lado, a ONU e ONGs afirmam que são impedidas de operar adequadamente em Gaza e que o sistema humanitário é boicotado por Israel.