Médicos e enfermeiros em hospitais da Faixa de Gaza relatam desmaios causados por fome e desidratação, enquanto recém-nascidos sofrem com a falta de fórmulas nutricionais. A crise se agravou após bloqueios à entrada de comida e medicamentos, apesar de recentes liberações de ajuda.
Sete médicos entrevistados pelo “The New York Times” descrevem casos de desnutrição extrema e dificuldades para atender pacientes, com profissionais colapsando durante o trabalho. A situação é considerada inédita por especialistas internacionais.
Desnutrição grave e colapso hospitalar em Gaza
Segundo reportagem do The New York Times, médicos e enfermeiros que atuam na Faixa de Gaza enfrentam condições extremas, com profissionais desmaiando devido à fome e à desidratação. A escassez de fórmulas nutricionais para recém-nascidos agrava o cenário, impossibilitando o tratamento adequado dos bebês mais debilitados.
O médico britânico Nick Maynard afirmou: “Vi um grau de desnutrição que eu não considerava possível em um mundo civilizado. A expressão ‘pele e osso’ não faz jus à realidade.” Segundo os profissionais, muitos bebês não conseguem mais receber nutrientes suficientes, e há aumento de abortos espontâneos, partos prematuros e infecções.
O bloqueio imposto por Israel em março interrompeu totalmente a entrada de comida e medicamentos em Gaza. Apesar da retomada parcial das entregas, a distribuição ainda é insuficiente. O diretor do hospital Al-Shifa, Mohammad Abu Salmiya, relatou: “Alguns profissionais já colapsaram em centros cirúrgicos. Outros desmaiaram em alas de emergência porque não tinham se alimentado direito.”
Ajuda humanitária e desafios para a população
O governo de Benjamin Netanyahu voltou a permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, tanto por ar quanto por terra, sob pressão internacional. Israel anunciou a suspensão de operações militares durante 10 horas por dia em algumas áreas para facilitar a chegada dos pacotes de ajuda. No entanto, a quantidade enviada ainda está longe do necessário.
Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária das Nações Unidas, declarou que “grandes quantidades são necessárias para evitar a fome e uma crise catastrófica de saúde”. Em maio, a Fundação Humanitária de Gaza, apoiada por Israel, retomou entregas em alguns locais, mas tumultos durante a distribuição já resultaram em dezenas de mortes.
O preço dos alimentos disparou: um quilo de farinha pode custar US$ 30 (cerca de R$ 170), inviabilizando o acesso para a maioria dos moradores. A reportagem cita o caso da família do bebê Salam Barghouth, de três meses, cuja mãe, Hanin, está fraca demais para buscar ajuda e o pai, Akram, não consegue chegar a tempo aos pontos de distribuição. A lata de fórmula infantil da família está no fim.
O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, afirma que mais de 59 mil palestinos morreram na ofensiva israelense desde outubro de 2023, em resposta ao ataque do Hamas que deixou 1,2 mil mortos em Israel. O Exército de Israel declarou que segue cooperando com atores internacionais para facilitar a entrada de ajuda humanitária, conforme a legislação internacional.