Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, declarou neste domingo (27) que o país continuará a guerra na Faixa de Gaza até alcançar todos os objetivos militares, mesmo com a implementação de uma pausa humanitária para entrada de suprimentos essenciais.
A suspensão das operações militares ocorre em áreas específicas, com rotas seguras para a passagem de comboios de ajuda, mas não representa um cessar-fogo.
Pausa humanitária e operações militares
Neste domingo (27), Israel iniciou uma pausa humanitária diária em Gaza, permitindo o envio de alimentos e medicamentos por vias aérea e terrestre. Segundo comunicado do Exército israelense, a pausa tática local ocorre das 10h às 20h em áreas como Al-Mawasi, Deir al-Balah e Cidade de Gaza, onde as IDF não estão operando. As rotas seguras para comboios de ajuda funcionam das 6h às 23h.
Apesar da medida, Netanyahu reforçou em vídeo na rede X: “Continuaremos a lutar, continuaremos a agir até atingirmos todos os nossos objetivos de guerra. Até a vitória completa”. O premiê argumenta que, para destruir o Hamas e libertar reféns, é necessário manter o combate e, simultaneamente, permitir a entrada mínima de suprimentos humanitários.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, criticou a decisão sobre a ajuda, classificando-a como submissão à campanha do Hamas e defendendo o corte total do auxílio ao enclave.
O grupo Hamas, por sua vez, afirmou que a pausa não representa uma trégua humanitária, já que as ofensivas militares continuam.
Crise humanitária e pressão internacional
A decisão de Israel ocorre sob forte pressão internacional devido ao agravamento da crise humanitária em Gaza, onde o Ministério da Saúde local registrou 127 mortes por desnutrição desde o início do conflito, incluindo 85 crianças. No sábado, uma bebê de cinco meses morreu de desnutrição aguda grave no Hospital Nasser, em Khan Younis.
O Crescente Vermelho Egípcio anunciou o envio de mais de 100 caminhões com 1.200 toneladas de alimentos pelo ponto de Kerem Shalom. O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, declarou que equipes intensificarão esforços para alimentar os famintos durante as pausas. “Nossas equipes no terreno farão tudo o que puderem para alcançar o maior número possível de pessoas famintas nesse intervalo”, afirmou.
O World Food Program informou que quase um terço da população palestina “não come durante dias seguidos”. Mais de 100 ONGs denunciam “fome em massa” e a ONU descreve a situação como um “show de horrores”. Philippe Lazzarini, da UNRWA, relatou: “As pessoas em Gaza não estão nem mortas nem vivas, são cadáveres ambulantes”.
Desde o início da guerra, mais de 59 mil palestinos morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. O ataque do Hamas a Israel em 2023 deixou 1,2 mil mortos e 250 reféns. O governo Netanyahu culpa a ONU e o Hamas por dificultar a chegada de alimentos à população.