Exportadores brasileiros já sentem os efeitos do anúncio de tarifas de até 50% pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump. O impacto atinge setores como carne, mel, madeira e pescados, com cancelamentos e suspensão de embarques antes mesmo da vigência da medida, prevista para 1º de agosto.
Empresas e governos estaduais buscam alternativas e pressionam por negociações diplomáticas para minimizar os prejuízos. O temor é de agravamento da crise em regiões e cadeias produtivas dependentes do mercado americano.
Impactos imediatos nas exportações brasileiras
O anúncio de tarifas adicionais pelo governo dos Estados Unidos já prejudica as vendas brasileiras ao exterior. Setores como carne bovina, mel, madeira e pescados relatam dificuldades para manter volumes de exportação, com cancelamentos de encomendas e suspensão de produção. Importadores americanos temem que mercadorias cheguem após a entrada em vigor da tarifa, levando a prejuízos imediatos.
Setores mais afetados
O setor de carnes, especialmente em Mato Grosso do Sul, paralisou produção para os EUA, com frigoríficos como JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi interrompendo operações. O estado também teme perdas na exportação de tilápia, já que quase toda a produção vai para os EUA.
No Piauí, o mercado de mel orgânico sofreu cancelamento imediato de grandes encomendas, afetando cerca de 500 toneladas e milhares de pequenos produtores. O Paraná, com a indústria madeireira BrasPine, colocou 700 funcionários em férias coletivas. O setor de madeira já havia sido atingido por tarifa anterior de 25% e agora enfrenta novas restrições.
Empresas de pesca no Nordeste também foram impactadas, com suspensão de compras de peixes, lagostas e camarões por parte dos EUA. O Espírito Santo, líder em exportação de rochas naturais, viu compradores americanos suspenderem embarques de granito e mármore, afetando a principal fonte de receita do setor.
Repercussão e perspectivas
Representantes do agronegócio e da indústria manifestam preocupação e buscam alternativas para redirecionar produtos a outros mercados. O analista Fernando Henrique Iglesias, do Safras & Mercados, afirma que frigoríficos tentarão exportar para outros países, já que há mais de 100 mercados compradores, mas reconhece que o impacto é significativo.
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Net, alerta para perdas de até R$ 20 bilhões até 2030 e risco de demissões. O setor de laranja teme comprometimento de uma cadeia que emprega 200 mil pessoas. Em São Paulo, cidades como Sorocaba e Piracicaba projetam aumento do desemprego e ruptura de contratos devido à dependência do mercado americano.
No Porto de Santos, o alerta é de queda de receita e empregos com possível retração nas exportações de café, que pode sofrer aumento de até 400% na tarifa. Pernambuco teme prejuízos na indústria da cana, uvas frescas e estruturas metálicas. O governo federal criou comitê para ouvir setores atingidos e negocia soluções. Empresários apostam em pressão da própria indústria americana para reverter a medida.