Presidentes da China, Canadá e México responderam de maneiras distintas às recentes ameaças e tarifas impostas por Trump. Enquanto a China partiu para retaliações, Canadá e México optaram por negociação e diplomacia. As medidas impactam acordos comerciais e as relações bilaterais, com consequências ainda indefinidas.
China: retaliação e guerra comercial
A China foi o país que mais se destacou nas respostas às tarifas americanas de Trump. Após o anúncio de tarifas de 10% sobre produtos chineses em fevereiro, os EUA elevaram as taxas para 54% em abril, no chamado “Dia da Libertação”. A China reagiu com tarifas de 34% sobre produtos americanos, e a escalada continuou até ambos os lados atingirem 125% de tarifas recíprocas.
Em maio, foi firmado um “cessar-fogo” de 90 dias, com suspensão de novos aumentos tarifários a partir de 14 de maio. Em junho, Trump e Xi Jinping conversaram por telefone e um acordo parcial foi anunciado: a China forneceria metais de terras raras aos EUA, que, por sua vez, desistiriam de revogar vistos de estudantes chineses. No entanto, não houve definição sobre as tarifas existentes, e a trégua expira em 12 de agosto.
Apesar do crescimento anualizado de 5,2% da economia chinesa no segundo trimestre, economistas alertam para riscos de retração caso não haja acordo definitivo.
Canadá: resistência e negociação
O Canadá, liderado por Mark Carney, recebeu uma carta de Trump em julho anunciando tarifa de 35% sobre produtos canadenses a partir de 1º de agosto. O país já enfrentava tarifas de 25% sobre exportações fora do USMCA e 10% sobre produtos energéticos, além de tarifas globais de 50% sobre alumínio e aço e 25% sobre carros não fabricados nos EUA.
Em resposta, o Canadá impôs tarifas recíprocas sobre produtos americanos. Carney afirmou que o Canadá “não está à venda” e defendeu negociações “nos termos canadenses”. Apesar de buscar diálogo, o país cancelou imposto digital para evitar novas sanções, o que levou a Casa Branca a afirmar que Carney “cedeu” à pressão.
México: diplomacia e pragmatismo
O México, sob liderança de Claudia Sheinbaum, também foi alvo de tarifas, com ameaças de 30% sobre todos os produtos mexicanos. Sheinbaum adotou postura diplomática, expressando confiança em um acordo e reafirmando a soberania do país. O governo mexicano realizou ações para coibir tráfico de fentanil e imigração, o que rendeu elogios de Trump, mas não impediu novas ameaças tarifárias.
O contexto global das tarifas de Trump afeta diretamente as relações comerciais e políticas entre os EUA e seus principais parceiros. No caso da China, a guerra comercial elevou o risco de recessão mundial, com negociações ainda incertas sobre o futuro das tarifas. O acordo de 90 dias pode não ser suficiente para evitar novas tensões, e o desempenho econômico chinês está sob observação.
No Canadá, a vitória de Mark Carney foi marcada por uma retórica firme contra as ameaças americanas, revertendo pesquisas desfavoráveis e prometendo manter o país independente das pressões dos EUA. O cancelamento do imposto digital e o investimento em segurança de fronteira mostram tentativas de apaziguar Washington, mas as tarifas continuam sendo um ponto de discórdia.
No México, a postura conciliadora de Sheinbaum, aliada a ações concretas contra o tráfico e imigração, fortaleceu sua popularidade interna, mesmo diante de ameaças contínuas de Trump. A relação com os EUA permanece delicada, com negociações em andamento e incertezas sobre futuros acordos comerciais.