As recentes turbulências políticas e econômicas, no Brasil e no mundo, têm levado investidores a reavaliar suas estratégias. Cristiano Castro, diretor de negócios da BlackRock, destaca setores como inteligência artificial, energia e biotecnologia como oportunidades na renda variável.
Enquanto isso, decisões como o tarifaço dos EUA e o impasse do IOF no Brasil aumentam a volatilidade dos mercados. Especialistas recomendam manter o foco em investimentos de longo prazo para driblar os riscos do momento.
Os impactos dos eventos recentes nos mercados
Os mercados financeiros vêm sendo influenciados por acontecimentos tanto no cenário internacional quanto nacional. No exterior, o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra parceiros comerciais, incluindo o Brasil, elevou as incertezas e afetou ações, commodities e câmbio. No Brasil, o impasse em torno do aumento do IOF e os esforços para equilibrar as contas públicas têm gerado apreensão, agravada por um ambiente econômico instável.
Além disso, o Banco Central elevou a taxa Selic para 15% ao ano, o maior patamar em quase vinte anos, o que pode conter o consumo e aumentar a atratividade da renda fixa.
Pontos de atenção para investidores
O tarifaço de Trump, implementado em abril, passou por diversas alterações e culminou, no início deste mês, com uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, válida a partir de 1º de agosto. O teor político da medida foi confirmado pelo próprio Trump, que relacionou a decisão ao julgamento do ex-presidente brasileiro no STF. A ameaça tarifária abala a confiança de empresas e consumidores, com expectativa de impactos na inflação e possível elevação dos juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, o vai e vem do IOF trouxe mais incerteza. Após tentativas de aumento do imposto e reações negativas, o Congresso derrubou o decreto do presidente Lula. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, suspendeu os efeitos dos decretos e convocou audiência de conciliação, que terminou sem acordo. Moraes retomou parte do decreto, suspendendo apenas o trecho sobre operações de risco sacado.
Estratégias para enfrentar a volatilidade
Especialistas sugerem que a melhor forma de lidar com a volatilidade atual é manter o foco em investimentos de longo prazo. Carlos Machado, do Bradesco Global Private Bank, afirma que o desafio é ajudar o cliente a se desvincular dos ruídos de curto prazo, analisando impactos ao longo do tempo. Ele cita como exemplo o choque inicial no preço do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que acabou revertendo posteriormente.
Victor Natal, do Itaú BBA, destaca que investir é um processo de longo prazo, com o objetivo principal de preservar o capital. Ele sugere analisar tanto fatores microeconômicos (como receita, crescimento de vendas, geração de caixa e endividamento das empresas) quanto macroeconômicos (inflação, juros, PIB, câmbio e política fiscal).
Setores promissores e oportunidades
Na renda variável, Cristiano Castro aponta inteligência artificial, energia, semicondutores, criptoativos e biotecnologia como setores com maior potencial. Já na renda fixa, a elevação da Selic criou oportunidades tanto para ativos pós-fixados quanto pré-fixados.
Especialistas reforçam a importância de acompanhar o cenário global e manter-se informado para identificar oportunidades e riscos de forma consciente.