O anúncio de uma tarifa de 50% por Donald Trump sobre produtos brasileiros paralisou as exportações de café do Espírito Santo para os Estados Unidos nos últimos sete dias.
O estado deixou de embarcar cerca de 2,5 mil toneladas de café, e novos negócios não foram fechados. Outros setores, como rochas naturais, gengibre e pimenta-do-reino, também relatam prejuízos e suspensão de pedidos.
Celulose e pescado ainda mantêm embarques, mas representantes demonstram preocupação com os efeitos do tarifaço.
Impacto imediato nas exportações
Desde o anúncio da nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, feito por Donald Trump, as exportações de café do Espírito Santo para os Estados Unidos foram interrompidas. Em apenas sete dias, cerca de 42 mil sacas, equivalentes a 2,5 mil toneladas de café cru e solúvel, deixaram de ser embarcadas. Segundo o CCCV, mais de 12,6 mil toneladas de café em todo o país estão sem destino definido, pois novos negócios também não foram selados com os EUA.
O Brasil, maior exportador de café do mundo, tem nos Estados Unidos um de seus principais mercados. O Espírito Santo lidera a produção nacional de café conilon e é um dos maiores produtores de café solúvel, ambos com alta demanda no mercado americano.
Além do café, o setor de rochas naturais, no qual os EUA são responsáveis por 62,4% das exportações capixabas em junho de 2025, também foi afetado. Outros compradores internacionais, como a China, representam 17,5% das rochas produzidas no estado.
Consequências para os dois países
O vice-presidente do CCCV destacou que o impacto será sentido também nos Estados Unidos, que produzem apenas 1% do café que consomem. O Brasil detém cerca de um terço do mercado norte-americano, e países como China, Índia, Indonésia e Austrália dificilmente conseguiriam suprir a demanda no curto prazo. “As indústrias relacionadas ao café geram aproximadamente 2 milhões de empregos nos Estados Unidos. Essa medida não atinge só o Brasil, os Estados Unidos também vão sofrer muito”, afirmou.
Setores além do café enfrentam dificuldades
A suspensão de novos pedidos também afeta os setores de rochas naturais, gengibre e pimenta-do-reino. No setor de rochas, mais da metade dos embarques foram suspensos. A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) estima que 1.200 contêineres deixarão de ser embarcados até o fim de julho, gerando um prejuízo de US$ 40 milhões.
O secretário de Agricultura, Enio Bergoli, relatou paralisações nas exportações de pimenta-do-reino e gengibre. “Tem casos concretos de paralisação de envio. Falei com exportadores e já suspenderam antes de embarcar, desistiram do negócio”, disse. Bergoli ressaltou que ainda é cedo para calcular os prejuízos financeiros, já que a medida entra em vigor apenas em 1º de agosto, mas afirmou que os impactos já começaram a ser sentidos, principalmente entre pequenos produtores.
Celulose e pescado seguem embarcando, mas com apreensão
Diferente de outros produtos, os embarques de celulose e pescado para os Estados Unidos continuam. Agostinho Miranda Rocha, vice-presidente do Sinpacel-ES, afirmou que as exportações seguem normalmente, mas o setor está em alerta para possíveis impactos, especialmente na celulose.
No setor de pescado, Mauro Lúcio Peçanha de Almeida, presidente do Sindipesca, informou que os embarques continuam, pois o produto é in natura e enviado por avião. No entanto, há preocupação com o que pode acontecer após a entrada em vigor da tarifa.