O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste sábado, 19, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu após os Estados Unidos revogarem vistos do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e de seus aliados. Lula também debateu a viagem ao Chile e a crise comercial com os EUA.
O encontro entre Lula e Mauro Vieira não estava previsto na agenda oficial e aconteceu um dia após o governo dos Estados Unidos anunciar a revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de seus aliados e familiares imediatos. Em nota, Lula manifestou solidariedade aos ministros do STF atingidos e classificou a medida americana como “arbitrária e sem fundamento”.
Segundo informações do g1, Lula convocou Vieira ao Alvorada para discutir os planos da viagem presidencial ao Chile, marcada para domingo, 20. Na segunda-feira, 21, Lula participará de uma cúpula sobre democracia ao lado dos presidentes do Chile, Gabriel Boric; Uruguai, Yamandu Orsi; Colômbia, Gustavo Petro; e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchéz.
Interlocutores do governo afirmam que a crise diplomática com os EUA também foi tema da conversa entre Lula, Vieira e outros auxiliares.
Tarifa de 50% dos Estados Unidos
Na semana passada, o ex-presidente Donald Trump enviou carta a Lula anunciando uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. Trump justificou a medida citando Jair Bolsonaro e criticando o julgamento do ex-presidente pelo STF, chamando-o de “vergonha internacional”.
Trump alegou, sem apresentar provas, que a elevação da tarifa foi motivada por supostos ataques do Brasil contra eleições livres e violações à liberdade de expressão dos americanos.
Em resposta, Lula declarou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e prometeu reagir ao aumento unilateral de tarifas com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, está reunindo setores econômicos para buscar uma solução antes do prazo final, 31 de julho, sem necessidade de adiamento.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova tarifa pode impactar quase 10 mil empresas exportadoras brasileiras e 3,2 milhões de empregos no país.