O ministro Fernando Haddad afirmou neste sábado (19) que o Brasil não planeja retaliações imediatas ao aumento de 50% nas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, imposto por Donald Trump.
Haddad também negou que o governo avalie taxar dividendos em resposta, reforçando que a prioridade é o diálogo diplomático.
O governo Lula aguarda resposta dos EUA a uma carta enviada por Alckmin e Mauro Vieira e pode recorrer à OMC se não houver acordo até agosto.
Tarifas e posicionamento do governo brasileiro
O presidente americano Donald Trump anunciou um aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, justificando a decisão com motivações políticas e críticas ao julgamento de Jair Bolsonaro. Trump afirmou que o tratamento dado ao ex-presidente brasileiro é “uma desgraça” e classificou o processo como “uma vergonha internacional” em carta enviada a Lula, onde também acusou o Brasil de ameaçar eleições e liberdade de expressão sem apresentar provas.
Apesar do tom agressivo, o governo Lula tem evitado responder com medidas de confronto direto. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou publicamente que o Brasil não está considerando retaliações imediatas nem a taxação de dividendos como resposta. “A adoção de medidas mais rígidas de controle sobre dividendos não está em consideração”, afirmou Haddad nas redes sociais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o Brasil é soberano e não aceitará ser tutelado, mas destacou a disposição para o diálogo com os Estados Unidos.
Próximos passos e alternativas diplomáticas
O governo brasileiro aguarda resposta dos EUA a uma carta enviada nesta semana à Casa Branca, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O documento manifesta indignação com a tarifa e cobra retorno a uma mensagem anterior de maio, ainda sem resposta.
No campo legal, o Brasil avalia acionar a recém-regulamentada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite impor medidas similares contra países que adotem sanções unilaterais. Lula afirmou que o uso da lei ocorrerá “quando necessário”, e que o Brasil buscará apoio de outros países afetados para levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil”, disse Lula em entrevista. O governo segue apostando em alternativas diplomáticas e jurídicas, evitando escalada imediata do conflito comercial.