O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (21), alcançando R$ 5,60, enquanto investidores aguardam novos desdobramentos sobre acordos do tarifaço entre Estados Unidos e Europa.
No Brasil, o destaque do dia é a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à rádio CBN, que pode influenciar o mercado financeiro.
O cenário internacional e as negociações comerciais mantêm o câmbio volátil, com atenção também para dados do Boletim Focus e movimentações das bolsas globais.
Movimentação do dólar e Ibovespa
O dólar registrou queda de 0,23% por volta das 9h20, cotado a R$ 5,5748, após atingir máxima de R$ 5,6114. O acumulado da semana é de +0,71%, do mês +2,83%, e no ano -9,58%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apresenta perdas: -2,06% na semana, -3,94% no mês, mas acumula alta de 10,89% no ano.
Boletim Focus e projeções econômicas
O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que economistas do mercado financeiro reduziram pela oitava semana seguida a projeção de inflação para 2025, de 5,17% para 5,10%. Apesar da queda, a estimativa segue acima do teto da meta oficial, de 4,5%. Para 2026, a expectativa caiu de 4,50% para 4,45%, enquanto para 2027 e 2028 as projeções permanecem em 4% e 3,80%, respectivamente.
A projeção para o PIB de 2025 foi mantida em 2,23% e para 2026 houve leve revisão para baixo, de 1,89% para 1,88%. A taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano em 2025, com expectativa de queda gradual para 12,5% em 2026 e 10,5% em 2027. O cenário de juros elevados reflete as pressões externas e das contas públicas.
Negociações do tarifaço e tensões comerciais
Com o prazo final de 1º de agosto se aproximando, a União Europeia vê poucas chances de acordo com os EUA para evitar o aumento das tarifas. Após ameaças de Donald Trump de elevar tarifas de 10% para 30% sobre exportações europeias, cresce o apoio a medidas de retaliação no bloco. Diplomatas relataram à Reuters propostas divergentes dos EUA nas reuniões em Washington, frustrando expectativas de avanço.
A UE considera acionar o instrumento de “anti-coerção”, mirando setores estratégicos dos EUA, e avalia um pacote tarifário sobre 21 bilhões de euros em produtos americanos, suspenso até 6 de agosto. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo Trump prioriza a qualidade dos acordos, mantendo o prazo de 1º de agosto para as tarifas elevadas.
Fed, China e bolsas globais
Bessent também defendeu uma reavaliação do Federal Reserve, criticando o “alarmismo sobre tarifas” e dizendo que o impacto inflacionário foi pequeno. Na China, as taxas de juros de referência foram mantidas: a LPR de um ano em 3% e a de cinco anos em 3,5%. Pequim anunciou novas regras para o setor de aluguel residencial, buscando estabilizar a economia.
Os mercados globais começaram a semana com desempenho misto: Xangai subiu 0,5%, o CSI 300 avançou 0,6% e Hong Kong teve alta de 1,33%, puxada por tecnologia. Na Europa, Stoxx 600 e FTSE 100 recuavam 0,2% diante da incerteza comercial. Nos EUA, futuros do S&P 500 e Nasdaq operavam em leve alta, com expectativa pelos resultados de Google, Tesla e IBM. O setor de defesa acumula alta de 30% no ano, impulsionado pelo aumento dos gastos militares globais, mas a proximidade do prazo tarifário segue como risco.