O presidente Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em carta enviada a Lula, criticando ações no STF e empresas de redes sociais.
Segundo Guilherme Casarões, professor da FGV-SP, a medida integra uma estratégia global da extrema direita, visando fortalecer aliados e influenciar debates sobre liberdade de expressão.
Casarões destaca que a iniciativa de Trump retoma articulações iniciadas em seu primeiro mandato, com apoio de figuras como Steve Bannon.
Estratégia internacional da extrema direita
O movimento de Donald Trump ao impor tarifas de 50% a produtos brasileiros é visto como parte de uma estratégia global de fortalecimento da extrema direita, conforme análise de Guilherme Casarões, professor da FGV-SP e pesquisador do Observatório da Extrema Direita. Segundo Casarões, essa articulação começou ainda no primeiro mandato de Trump e ganha novo impulso agora.
Em entrevista ao podcast O Assunto, Casarões explica que desde a primeira passagem de Trump pela Casa Branca, discutia-se a formação de uma frente internacional da extrema direita, conceito defendido por Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, como uma ‘internacional conservadora’ ou ‘internacional nacionalista’.
Pressão sobre liberdade de expressão e big techs
Trump, na carta a Lula, também atacou decisões do STF sobre Jair Bolsonaro e criticou empresas de redes sociais, conhecidas como big techs. Casarões ressalta que, além do interesse político, a defesa de uma liberdade de expressão ampla e irrestrita, conforme a interpretação americana, é central para a extrema direita. Essa visão, segundo ele, não é compatível com a maioria das legislações nacionais, mas interessa às grandes empresas de tecnologia.
O apoio de Trump a campanhas contra a regulamentação das redes sociais se estende a países como Brasil e Austrália, onde há esforços para impor regras às plataformas. Casarões lembra que a ideia de usar o peso político dos Estados Unidos para garantir a eleição de aliados de extrema direita em outros países não é nova, mas se intensifica com a atuação de Trump e seus apoiadores.
O cientista político observa que, ao alinhar interesses políticos e econômicos dos EUA com os de grandes empresas de tecnologia, Trump busca influenciar debates globais sobre liberdade de expressão e fortalecer uma rede internacional de aliados conservadores. Essa movimentação pode impactar diretamente as políticas nacionais de regulação das redes sociais e o cenário político em diversos países.