O anúncio do tarifaço por Donald Trump já afeta produtores de mel do Nordeste, especialmente do Piauí, com cancelamentos de exportações e prejuízos financeiros.
Empresas como Grupo Sama e Casa Apis tiveram operações suspensas após temor de sobretaxa de 50% nos EUA, prevista para agosto.
Pelo menos 12 mil pequenos produtores da região foram impactados, enfrentando incertezas e aumento de custos.
Cancelamentos e prejuízos imediatos
Após o anúncio do tarifaço em 9 de agosto, grandes encomendas de mel orgânico brasileiro destinadas aos Estados Unidos foram canceladas. O Grupo Sama, uma das maiores exportadoras do mundo, perdeu uma operação de 585 toneladas, enquanto a cooperativa Casa Apis, do Sul do Piauí, teve 95 toneladas afetadas. O temor dos importadores é que o mel chegue aos EUA após a entrada em vigor da nova tarifa, elevando o custo do produto em até US$ 6 milhões apenas para o Grupo Sama.
Impacto sobre pequenos produtores
Pelo menos 12 mil pequenos apicultores do Nordeste, especialmente de Piauí, Ceará, Maranhão e Bahia, foram prejudicados. O mel fornecido por eles passa por beneficiamento em indústrias do Piauí e São Paulo antes da exportação. O cancelamento das exportações obriga as empresas a armazenar o produto em câmaras refrigeradas, aumentando os custos logísticos.
Importância do Piauí no setor
Os Estados Unidos consomem 80% do mel brasileiro. Em 2024, o Piauí liderou a exportação nacional do produto para os EUA, embora não seja o maior produtor. Segundo Islano Marques, gestor da Fiepi, cerca de 85% da exportação piauiense de mel vai para o mercado americano.
Desafios e tentativas de negociação
Com parte da carga já nos portos ou em beneficiamento, empresas como Casa Apis tentam negociar com clientes norte-americanos para garantir o embarque dos contêineres prontos. Os produtores temem que, além do prejuízo imediato, haja queda nas exportações e aumento dos custos logísticos, tornando o mel orgânico brasileiro menos competitivo.
Perspectivas para o setor
Especialistas defendem a necessidade de políticas públicas e incentivos para apoiar os produtores locais e minimizar os efeitos das tarifas. O setor busca alternativas para escoar a produção e manter a sustentabilidade dos negócios diante do novo cenário internacional.