O dólar iniciou a segunda-feira (14) em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,5648, refletindo a tensão global após o anúncio de tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros. O governo Lula avalia possíveis respostas, incluindo a lei da reciprocidade, enquanto setores como mel e pescados já sentem impactos com cancelamentos de pedidos. O Ibovespa, que abre às 10h, fechou a semana anterior em queda de 3,59%.
Impactos imediatos das tarifas dos EUA
Na semana passada, o anúncio do presidente Donald Trump de uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil provocou reação imediata nos mercados. O dólar subiu 2,28% frente ao real e o Ibovespa caiu 3,59%, encerrando aos 136.187 pontos. Exportadores brasileiros, como o Grupo Sama no Piauí, já registraram cancelamento de 585 toneladas de mel orgânico, parte delas já no porto aguardando embarque. O setor de pescados também foi afetado, com o desembarque de 58 contêineres de peixes, lagostas e camarões em portos do Nordeste após cancelamentos de importadores americanos.
Segundo o consultor Welber Barral, o impacto mais forte deve ser sentido a partir de agosto, quando a tarifa entra em vigor. Setores de café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e aeronaves também estão sob risco. Muitos exportadores tentam antecipar embarques antes do início da taxação.
Reação do mercado financeiro
A valorização do dólar pressiona a inflação brasileira. O economista Robson Gonçalves alerta que, se a moeda americana permanecer alta, a inflação tende a persistir e o Banco Central pode manter os juros elevados, atualmente em 15%, o maior patamar em quase 20 anos, o que pode levar à recessão.
Governo brasileiro prepara resposta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros e o presidente do Banco Central no Palácio da Alvorada para discutir estratégias diante do tarifaço. Entre as ações, está a criação de um comitê de empresários para buscar alternativas, com reunião prevista ainda para a manhã de segunda-feira (14). Lula defende união nacional para proteger a economia e afirma que o Brasil não aceitará ser tutelado, mantendo a aposta em negociações, mas sem descartar a lei da reciprocidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o decreto para regulamentar a lei será editado até terça-feira (15).
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, também se manifestou, classificando os argumentos do governo americano como “compreensão imprecisa” dos fatos recentes, após Trump justificar a tarifa citando o julgamento de Jair Bolsonaro e ações contra big techs.
Tarifas dos EUA a outros parceiros
Além do Brasil, Trump notificou mudanças tarifárias para outros países, incluindo México e União Europeia, que receberam taxas de 30%. O presidente norte-americano também anunciou tarifas de 50% sobre importações de cobre e até 200% sobre produtos farmacêuticos. A União Europeia prorrogou a suspensão de medidas retaliatórias até agosto, buscando solução negociada.
Especialistas alertam que as tarifas podem elevar custos de produção globalmente, pressionar a inflação nos EUA e no mundo, e forçar o Federal Reserve a manter juros altos, fortalecendo o dólar e impactando taxas internacionais.