O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou neste domingo (13) no X uma mensagem ligando o tarifaço de Donald Trump à aprovação da anistia.
Bolsonaro afirmou que não comemora a taxa de 50% anunciada por Trump, mas defendeu que só a anistia pode trazer paz à economia brasileira.
A declaração surpreendeu aliados do Centrão, que buscavam responsabilizar o governo Lula pelo aumento das tarifas americanas sobre produtos do Brasil.
Reação política ao tarifaço e à postagem de Bolsonaro
Desde a ameaça da sanção, feita na última quarta-feira (9), governadores da oposição, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG), vinham atribuindo à diplomacia do presidente Lula (PT) a culpa pela possível elevação de 50% nas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros a partir de agosto.
O movimento era coordenado por aliados do Centrão, que tentavam construir um discurso para responsabilizar o governo federal pelo impacto econômico da medida anunciada por Donald Trump.
Com a repercussão negativa, especialmente entre empresários e industriais de São Paulo, Tarcísio suavizou o tom no sábado (12), dizendo ser necessário despolitizar o tema e buscar “união nacional” para solucionar o impasse comercial.
Impacto da fala de Bolsonaro e bastidores da reação
A postagem de Bolsonaro, feita neste domingo (13), associando o tarifaço à aprovação da anistia e sugerindo que apenas essa medida traria paz econômica ao país, desestabilizou a estratégia dos aliados que pretendiam responsabilizar Lula.
Um dos articuladores do discurso, ao saber da manifestação do ex-presidente, reagiu de imediato: “É difícil”.
A atitude de Bolsonaro ocorre em meio ao debate sobre a responsabilização de envolvidos na tentativa de golpe de 2023, tema central da proposta de anistia defendida por seus aliados.
O episódio evidencia as divergências internas e a dificuldade de manter uma narrativa unificada na oposição diante de temas sensíveis da política e economia nacional.