O anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil, feito por Donald Trump, gera incertezas para a economia do interior de São Paulo, especialmente em Piracicaba.
Setores como agroindústria, metalmecânico, automotivo e tecnologia podem ser diretamente afetados, enquanto especialistas e entidades defendem resposta rápida do governo federal.
A medida, prevista para agosto, preocupa empresários, trabalhadores e pode impactar empregos, renda e investimentos locais.
Impacto imediato nas exportações e setores produtivos
Na safra 2024/25, o Brasil registrou o menor volume de exportação de suco de laranja em quase 30 anos, mas obteve receita recorde de US$ 3,48 bilhões, segundo o Cepea/Esalq da USP em Piracicaba. Apesar da oferta restrita ter minimizado o impacto da elevação tarifária de 10%, o setor de citrus segue incerto quanto à recuperação do consumo externo e teme que a demanda internacional não se restabeleça plenamente. O temor aumenta diante da possibilidade de tarifas subirem para até 50% sobre o suco de laranja, especialmente se houver aumento da produção nacional nas próximas safras.
O anúncio do tarifaço de Trump, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto, coloca o Brasil no topo dos países mais afetados. Especialistas consultados pelo g1 destacam que a medida preocupa profundamente setores como agroindústria, metalmecânico, automotivo e tecnologia, que sustentam a economia regional de Piracicaba. Erick Gomes, presidente do Simespi, defende uma resposta rápida e coordenada entre setor produtivo e governo federal, incluindo diálogo diplomático e apoio à diversificação de mercados.
Contexto político e reação do governo
Carlos Vian, pesquisador da Esalq-USP, aponta que o componente político é mais forte nesta rodada de tarifas, com Trump citando Jair Bolsonaro e criticando o julgamento do ex-presidente no STF. O presidente Lula reagiu afirmando que o Brasil “não aceitará ser tutelado” e responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Consequências para emprego e renda regional
Igor Vasconcelos Nogueira, do IFSP, alerta que o tarifaço pode impactar diretamente a vida dos cidadãos, afetando empregos, renda e investimentos. A diminuição das exportações para os EUA pode levar à redução de postos de trabalho em indústrias e serviços ligados à exportação, com efeitos negativos sobre fornecedores e comércio local. A incerteza pode ainda desestimular novos investimentos em Piracicaba e região, freando o crescimento econômico.
Setores mais vulneráveis
Segundo Nogueira, o setor sucroenergético pode sofrer pressão adicional, enquanto a indústria metalomecânica e fabricantes de máquinas agrícolas correm risco de perder contratos devido à perda de competitividade. Pequenas e médias empresas exportadoras, com menor capacidade de absorver choques, podem ser forçadas a buscar novos mercados, o que demanda tempo e investimento. A cadeia logística e de serviços também será afetada pela retração das exportações.
Busca por novos mercados e oportunidades
Especialistas defendem a necessidade urgente de diversificar destinos das exportações, mirando América Latina, União Europeia, China, Índia e África. Apesar dos desafios, a região de Piracicaba é historicamente resiliente e pode transformar a crise em oportunidade de reestruturação e fortalecimento econômico.
Reflexos no agronegócio nacional
O agronegócio brasileiro, grande exportador de açúcar, alimentos e etanol para os EUA, também será afetado pelas novas tarifas, podendo sofrer impactos relevantes em suas operações, segundo Carlos Vian, da Esalq.