O governo Lula decidiu reforçar sua atuação contra o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump a produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.
Além de ações técnicas, o governo aposta em discurso de defesa da soberania para enfraquecer Jair Bolsonaro e seus aliados.
Pela primeira vez no ano, o Planalto lidera o debate nas redes sociais sobre justiça tributária e união nacional diante do ataque externo.
Estratégia política e técnica do governo
No campo político, o governo intensificará o discurso nas redes sociais e nas entrevistas do presidente Lula, destacando a defesa da soberania nacional. O objetivo é fragilizar o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo, associando-os ao ataque de Donald Trump aos interesses do país.
Pela primeira vez em 2024, o governo lidera o debate público com dois temas principais: justiça tributária e união nacional diante do aumento das tarifas americanas.
Medidas técnicas e negociações
No âmbito técnico, o governo pretende regulamentar a Lei da Reciprocidade Econômica, que poderá ser acionada caso a tarifa de 50% seja mantida. Estão previstas reuniões com empresários para definir estratégias de negociação com o governo Trump, além da criação de um comitê conjunto entre governo e setor empresarial.
Repercussão no cenário político e jurídico
A movimentação dos bolsonaristas para que a pressão de Trump produza efeitos está ligada ao andamento do julgamento da ação penal contra o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, que reúne o ex-presidente e sua equipe. O julgamento pode ocorrer até setembro.
Bolsonaristas defendem que a única forma de o país ser “perdoado” por Trump seria aprovar uma anistia ampla aos envolvidos, mas, segundo avaliação no Legislativo, não há tempo hábil antes do recesso parlamentar. Além disso, há resistência a aprovar anistia sob pressão externa, vista como ameaça à soberania nacional.
No STF, o processo segue normalmente. A Procuradoria Geral da República entrega nesta segunda-feira as alegações finais contra o núcleo crucial, acusado de planejar o golpe para impedir a posse de Lula. Simultaneamente, a Primeira Turma inicia o interrogatório dos réus dos núcleos 3 e 4, apontados pela PGR como executores do plano.