Política

Trump anuncia tarifa de 50 por cento ao Brasil com carta padronizada

Documento enviado a Lula repete parágrafo usado para outros 21 países e cita riscos à segurança dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Lula anunciando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O texto, divulgado na quarta-feira (9), contém um parágrafo idêntico ao usado em comunicados a outros 21 países.

A carta ameaça impor novas taxas caso o Brasil reaja e justifica a medida alegando risco à segurança nacional dos EUA. Fontes do Itamaraty afirmam que o texto parece ter sido feito às pressas.

Conteúdo da carta e justificativa

A correspondência enviada por Trump ao governo brasileiro foi publicada em uma rede social e rapidamente chamou atenção pela semelhança com documentos destinados a outros 21 países. O trecho repetido ameaça impor novas tarifas caso haja retaliação do Brasil e fundamenta a decisão em um suposto risco à segurança nacional dos Estados Unidos.

Segundo uma fonte do Itamaraty ouvida pela GloboNews, o texto parece ter sido elaborado de forma apressada, sem checagem detalhada das informações pelo governo norte-americano.

Acusações e críticas

Na carta, Trump afirmou, sem apresentar provas, que a imposição da tarifa de 50% ao Brasil foi motivada “em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

O presidente dos EUA também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-o novamente como alvo de uma “caça às bruxas”.

Repercussão e impacto comercial

A publicação da carta gerou questionamentos sobre a seriedade e a originalidade do comunicado, dado o uso do mesmo parágrafo para múltiplos países. O argumento de que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é “injusta” foi reiterado por Trump, que escreveu: “Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco”.

A medida e a retórica adotadas pelo governo norte-americano podem tensionar ainda mais as relações comerciais entre os dois países, especialmente diante da ameaça de novas tarifas caso o Brasil decida reagir.

O episódio também levanta dúvidas sobre a estratégia de comunicação do governo dos EUA, que optou por um texto padronizado para tratar de temas sensíveis com diferentes nações.