As tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo Trump têm provocado efeitos políticos inesperados, fortalecendo a aprovação de líderes estrangeiros e impactando o cenário internacional. Países como Brasil, México, Canadá, Reino Unido e França registraram aumento na popularidade de seus governantes após serem alvos das medidas. Enquanto isso, a aprovação de Trump sofre queda, refletindo preocupações econômicas internas.
Impacto das tarifas nos países estrangeiros
No México e no Canadá, as ameaças e imposições tarifárias dos EUA resultaram em reações políticas e econômicas significativas. No Canadá, pesquisas indicaram crescimento do favoritismo do Partido Liberal, que venceu as eleições após campanha crítica às medidas de Trump. No México, a presidente Claudia Sheinbaum viu sua aprovação subir de 75% para 80% após defender a soberania nacional diante das tarifas, promovendo eventos de orgulho nacional e criticando decisões de governos estrangeiros.
No Reino Unido, o anúncio de tarifas sobre produtos britânicos e setores como aço, alumínio e automóveis levou o premiê Keir Starmer a adotar postura firme, sugerindo retaliação e buscando negociação. Sua aprovação aumentou 10 pontos percentuais durante a crise. O acordo comercial firmado em junho com os EUA eliminou tarifas para setores estratégicos e estabeleceu cotas de exportação.
A União Europeia também foi alvo de tarifas anunciadas por Trump, com liderança de Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen nas negociações. Macron, após encontro com Trump, teve sua aprovação elevada em 7 pontos percentuais, chegando a 31% em março, resultado associado à postura firme diante das ações americanas.
Repercussão interna nos Estados Unidos e no Brasil
Nos EUA, a aprovação de Trump caiu após o anúncio das tarifas, segundo dados compilados por Nate Silver. Em março, a desaprovação superou a aprovação pela primeira vez desde o início do governo, atingindo o auge em abril, mês do tarifaço. Pesquisas da Reuters mostram que 57% dos americanos consideram as ações de Trump “muito erráticas” para a economia, com inflação sendo a principal preocupação. Apenas 32% aprovam as medidas para reduzir o custo de vida, e 70% acreditam que as tarifas encarecem alimentos e outros itens.
No Brasil, pesquisa Quaest de 4 de junho aponta desaprovação de 57% ao governo Lula, o pior índice desde o início do mandato. Ian Bremmer, da Eurasia, avalia que as tarifas de Trump ao Brasil podem beneficiar Lula politicamente, como ocorreu em outros países, e prejudicar adversários como Bolsonaro. Trump anunciou tarifas de 50% contra produtos brasileiros, alegando déficit comercial, e utiliza as medidas como instrumento de pressão desde o início do mandato.
Fortalecimento da União Europeia
Na Europa, pesquisas revelaram que 74% da população vê vantagens em pertencer ao bloco, o melhor índice desde 1983, e 90% defendem maior unidade diante de desafios globais. A confiança na União Europeia atingiu 52%, maior patamar em 18 anos.