A extração de petróleo na Foz do Amazonas pode gerar impactos climáticos e ambientais irreversíveis, segundo especialistas. A região, uma das mais biodiversas do mundo, enfrenta ameaças de desmatamento, poluição e prejuízos às comunidades locais. O avanço de petroleiras, incluindo estrangeiras, preocupa ambientalistas e autoridades.
Impactos ambientais e avanço das petroleiras
Especialistas alertam que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode causar desmatamento, poluição de rios e mares, além de afetar comunidades indígenas e ribeirinhas. Organizações ambientais pressionam o governo para rever os planos, enquanto autoridades locais demonstram preocupação com possíveis danos sociais e econômicos.
Em 17 de junho, um leilão ampliou a presença de petroleiras estrangeiras na região, como Exxon Mobil, Chevron e CNPC, além da Petrobras. Estudos do Instituto ClimaInfo apontam que até 4,7 bilhões de toneladas de CO₂ podem ser emitidas, mais que o dobro das emissões anuais do Brasil. Considerando toda a Margem Equatorial, as emissões podem chegar a 13,5 bilhões de toneladas de CO₂, superando as emissões brasileiras dos últimos cinco anos.
Riscos socioambientais e disputas judiciais
Segundo Suely Araújo, do Observatório do Clima, a bacia é pouco estudada e próxima ao recife amazônico, com fortes correntes que aumentam o risco de acidentes. O Ministério Público Federal entrou com ações judiciais para suspender licenças e exigir estudos de impacto climático, alegando que decisões políticas estariam se sobrepondo à ciência.
Após o leilão, a Petrobras passou de nove para 28 blocos na região, e empresas americanas e chinesas também arremataram áreas. A ANP e o Ministério do Meio Ambiente não responderam aos questionamentos sobre os impactos climáticos.
Destino do petróleo e futuro da região
Descobertas recentes na Guiana sugerem que a Foz do Amazonas pode conter grandes reservas, mas a confirmação depende de futuras perfurações. O físico Shigueo Watanabe Jr. estima que levará cerca de dez anos para extrair petróleo, caso seja encontrado, e que será necessário avaliar a viabilidade econômica e ambiental.
A Agência Internacional de Energia prevê queda na demanda por combustíveis fósseis após 2030, enquanto a realização da COP30 em Belém destaca a importância da agenda climática. Para Suely Araújo, expandir a produção de petróleo contraria os esforços de descarbonização e enfraquece o papel do Brasil como liderança climática. Ela alerta que insistir no petróleo é ignorar a gravidade da crise climática global.