O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (8) que as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre tarifas apresentam incertezas. Haddad destacou a necessidade de cautela para garantir a continuidade do acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
O ministro ressaltou que o governo brasileiro mantém negociações técnicas com autoridades americanas e que o país não pode se guiar apenas pelas falas públicas de Trump. Haddad também defendeu a importância das parcerias internacionais do Brasil.
Negociações e incertezas sobre tarifas
Segundo Fernando Haddad, as falas do presidente Donald Trump possuem “grau de incerteza” e exigem avaliação cuidadosa ao longo do tempo. “Os prazos estão sendo prorrogados, têm muitas idas e vindas, nós temos que aguardar”, afirmou o ministro. A expectativa era de que as “tarifas recíprocas” voltassem a valer nesta quarta-feira (9), mas Trump adiou a data para 1º de agosto.
Haddad enfatizou que uma equipe do presidente Lula está em diálogo com o governo americano para tratar do acordo bilateral. “Estamos focando no trabalho técnico feito por eles, porque se considerar tudo que está sendo dito, nós vamos nos perder num discurso que pode não conduzir para o melhor resultado para os dois países”, explicou.
Parcerias internacionais e ameaças ao Brics
O ministro defendeu as parcerias globais do Brasil, citando acordos com a União Europeia e o Oriente Médio. Ele destacou que o país não pode abrir mão dessas relações devido à sua escala econômica. “Nós não podemos nos tornar apêndice de um bloco”, afirmou Haddad, referindo-se à ameaça de Trump de taxar países alinhados ao Brics.
Durante a 17ª Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, Trump anunciou tarifas de 10% contra países alinhados a políticas antiamericanas, sem detalhar quais seriam essas políticas ou países. O presidente Lula respondeu que o Brics “não nasceu para afrontar ninguém”.
Impacto das tarifas e negociações em andamento
O Brasil, embora não tenha sido um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump, permanece sujeito a tarifas sobre aço e alumínio, produtos estratégicos para as exportações brasileiras. As tarifas, antes de 25%, foram elevadas para 50% por decreto de Trump. O Brasil é um dos principais fornecedores de aço para os EUA.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que a melhor estratégia é aprofundar o diálogo com os americanos, ressaltando a criação de um grupo de trabalho bilateral com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o USTR. O Ministério da Indústria e o Ministério das Relações Exteriores participam das negociações, iniciadas em março, com reuniões presenciais e virtuais para avançar nas tratativas.
Decisão sobre o IOF
Haddad também comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspendeu decretos do governo e do Congresso sobre o IOF. O ministro classificou a decisão como “ótima” e informou que documentos técnicos estão sendo preparados para demonstrar a estratégia do governo, que visa evitar evasão fiscal. “Toda vez que você favorece um grupo econômico, compromete as metas fiscais e prejudica o país inteiro”, afirmou Haddad.