Exportadores de carne do Brasil avaliam novas rotas após Donald Trump anunciar tarifa de 50% sobre o produto brasileiro nos EUA. O governo Lula mapeia mercados alternativos para manter o fluxo de exportações, diante da possível inviabilidade no mercado americano.
No ano passado, os EUA foram o segundo maior destino da carne brasileira, mas a nova taxação pode mudar esse cenário.
Impacto da tarifa e alternativas para exportação
A tarifa de 50% imposta por Donald Trump ameaça inviabilizar a presença da carne brasileira nos Estados Unidos. Segundo fontes do setor, o preço médio da tonelada enviada aos EUA, atualmente em US$ 5.700, saltaria para cerca de US$ 8.600 com a nova taxação, tornando os envios economicamente inviáveis.
O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, já investe em alternativas para garantir as exportações. Entre os mercados mapeados como opções estão México, Egito, Canadá, Chile e Emirados Árabes, que poderiam absorver parte da carne destinada aos americanos. A China, embora seja o maior cliente dos cortes bovinos brasileiros (46% das exportações em 2023), não é alternativa para a chamada ‘carne ingrediente’, usada principalmente em hambúrgueres nos EUA.
No ano passado, as exportações para os EUA somaram 229 mil toneladas, o equivalente a 8% do volume total enviado ao exterior. O produto brasileiro é considerado versátil e pode ser direcionado para diferentes mercados, como tacos mexicanos, empanadas chilenas ou shawarma do Oriente Médio.
Cenário anterior e repercussões
Antes do anúncio das tarifas, as expectativas do setor eram otimistas, com projeções de até 500 mil toneladas exportadas para os EUA até o fim do ano. No primeiro semestre, o Brasil já havia exportado 181,5 mil toneladas, movimentando US$ 1,04 bilhão, um crescimento de 102% em valor em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com a medida, representantes da indústria exportadora avaliam possíveis consequências, como a perda de exportações e o aumento dos preços da carne nos EUA, já que o hambúrguer é um alimento básico da dieta americana. Empresários brasileiros mantêm diálogo com o Conselho de Importação de Carnes da América (MICA), que reúne importadores americanos. O MICA, embora não tenha se manifestado publicamente sobre a decisão de Trump, posiciona-se em seu site contra restrições ao comércio, alegando que tais medidas podem reduzir a produção de carne moída nos EUA, elevar custos para consumidores e prejudicar a indústria pecuária doméstica.