Política

Otan alerta que Brasil China e Índia podem sofrer sanções por negócios com Rússia

Secretário-geral Mark Rutte afirma que países do Brics podem ser alvo de penalidades caso mantenham relações comerciais com Moscou

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, alertou nesta quarta-feira (15) que Brasil, China e Índia podem ser punidos com sanções secundárias se continuarem negócios com a Rússia.

O anúncio foi feito durante reunião no Congresso dos EUA, em meio a ameaças de novas tarifas dos Estados Unidos e discussões sobre o conflito na Ucrânia.

Os países citados integram o Brics e podem ser atingidos mesmo sem envolvimento direto no conflito, caso apoiem economicamente Moscou.

Sanções secundárias e contexto internacional

Sanções secundárias são penalidades impostas a países ou empresas que mantêm relações comerciais com um país já sancionado, como a Rússia. Isso significa que, mesmo sem participação direta no conflito, Brasil, China e Índia podem ser afetados por “apoiar economicamente” Moscou.

Segundo Mark Rutte, “se a Rússia não levar a sério as negociações de paz, em 50 dias ele aplicará sanções secundárias a países como Índia, China e Brasil. Meu incentivo para esses três países em particular é que você pode querer dar uma olhada nisso, porque pode te atingir muito forte”. Rutte ainda sugeriu que esses países pressionem Putin por acordos de paz para evitar punições.

A Otan é uma aliança militar composta por 31 países da América do Norte e Europa, criada para garantir segurança coletiva. O alerta ocorre após o presidente Donald Trump anunciar o envio de novas armas à Ucrânia e ameaçar tarifas de 100% sobre produtos russos.

Os países mencionados por Rutte fazem parte do Brics, grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, focado em cooperação econômica e política. Recentemente, líderes do grupo se reuniram no Rio de Janeiro para fortalecer o bloco frente à política tarifária dos EUA e medidas protecionistas do Ocidente.

Repercussão e medidas dos EUA

Na semana anterior, Trump já havia ameaçado aplicar uma tarifa de 10% sobre países do Brics, acusando-os de tentar enfraquecer os EUA e desafiar o dólar como moeda padrão. Ele afirmou: “Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”. Em novembro, Trump condicionou o grupo a não apoiar uma nova moeda, sob pena de tarifas de 100%.

Nesta segunda-feira (14), Trump voltou a ameaçar tarifas de cerca de 100% sobre produtos russos caso não haja acordo de paz na Ucrânia. Ele declarou estar “muito insatisfeito” com Moscou e que o comércio pode ajudar a “resolver guerras”. A Casa Branca confirmou que a tarifa será aplicada se não houver cessar-fogo no prazo estipulado.

Durante o encontro com Rutte, Trump anunciou o envio de sistemas antimísseis Patriot à Ucrânia, com apoio de países membros da Otan. Apesar das sanções desde 2022, o comércio entre EUA e Rússia somou US$ 3,5 bilhões em 2024, incluindo fertilizantes, metais e combustível nuclear.

Especialistas avaliam que as ameaças e sanções ampliam a pressão internacional para isolar economicamente a Rússia e podem impactar severamente parceiros comerciais como Brasil, China e Índia.

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