Circula nas redes sociais um post alegando que Brasil e China assinaram um acordo comercial de 20 anos em resposta a tarifas de 50% impostas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A informação é falsa.
O último acordo comercial entre os países foi firmado em novembro de 2024, com duração de dez anos, e não há registro de novo tratado recente.
Origem do boato nas redes sociais
O post enganoso foi publicado no X em 10 de julho deste ano, um dia após o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros por Trump. A publicação afirmava: “Brasil assina acordo comercial de 20 anos com a China. ‘Chega de tarifas americanas.’ RESPEITEM O BRASIL”. O texto não especificava quem teria feito tal declaração.
Checagem dos fatos e dados oficiais
Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, todos os atos internacionais do Brasil estão disponíveis para consulta pública. O Fato ou Fake verificou os tratados em vigor e confirmou que o último acordo comercial com a China foi assinado em 20 de novembro de 2024, com validade de dez anos. Na ocasião, foram firmados 37 acordos, incluindo parceria em satélites e abertura de mercado para quatro produtos agrícolas brasileiros.
A assessoria de imprensa da presidência também negou a existência do suposto acordo. Em nota, reforçou que o presidente Lula tem declarado que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, e que pretende negociar com o governo americano por vias diplomáticas, políticas e econômicas.
Reações oficiais e esclarecimentos
A fala atribuída ao Brasil no conteúdo falso não corresponde às declarações oficiais. O presidente Lula, em manifestações públicas, reafirmou a soberania nacional e a intenção de buscar diálogo com os Estados Unidos, sem adotar medidas precipitadas.
Também não há registro de pronunciamento semelhante por parte da China. O país se manifestou sobre o tarifaço apenas em 11 de junho de 2025, um dia após a publicação do post, quando Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, declarou: “Tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência”.
O episódio reforça a importância de checar informações em fontes oficiais e confiáveis antes de compartilhar conteúdos nas redes sociais.