Negócios

Trump impõe tarifas de 25 por cento a produtos de Japão e Coreia do Sul e envia cartas a líderes

Medida amplia ofensiva comercial dos EUA e inclui tarifas de até 40 por cento para outros países a partir de agosto de 2025

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (7) a imposição de tarifas de 25% sobre produtos importados do Japão e da Coreia do Sul. A medida foi comunicada por meio de cartas enviadas diretamente aos chefes de Estado destes e de outros países, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.

As tarifas variam de 25% a 40% e fazem parte de uma estratégia para pressionar parceiros comerciais a negociar acordos bilaterais com os EUA.

Detalhes das tarifas e abrangência

Além do Japão e da Coreia do Sul, outros países também foram notificados sobre as novas tarifas, como África do Sul (30%), Cazaquistão (25%), Laos (40%), Malásia (25%) e Myanmar (40%). Segundo Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, pelo menos 14 países devem receber cartas similares.

As cartas, publicadas por Trump em seu perfil na Truth Social, ressaltam que as tarifas são uma demonstração da “força e do compromisso” dos Estados Unidos, mas mantêm aberto o diálogo para negociações. No texto enviado ao primeiro-ministro japonês, Ishiba Shigeru, Trump afirma: “A partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Japão uma tarifa de apenas 25% sobre todos os produtos japoneses enviados aos Estados Unidos, separadamente de todas as tarifas setoriais”. Ele destaca ainda que não haverá tarifa caso empresas japonesas passem a fabricar produtos em solo americano e que qualquer retaliação tarifária será somada à taxa imposta pelos EUA.

O conteúdo das cartas é replicado para os demais líderes, variando apenas a tarifa mínima estipulada para cada país.

Negociações e reações internacionais

A nova data de 1º de agosto representa uma prorrogação da suspensão das chamadas “tarifas recíprocas”, estendendo por mais três semanas o prazo para negociações bilaterais e evitando a entrada em vigor do tarifaço anunciado em abril. Até agora, apenas Reino Unido e Vietnã fecharam acordos limitados com Washington, enquanto a maioria dos países tenta evitar tarifas que podem chegar a 50%.

A União Europeia busca proteger setores como agricultura, tecnologia e aviação, mas ainda enfrenta dificuldades nas negociações. Japão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia e Suíça correm para apresentar concessões de última hora.

Trump também ampliou a ofensiva ao anunciar uma tarifa adicional de 10% a países alinhados a políticas do Brics. “Não haverá exceções a essa política”, afirmou, sem detalhar quais países seriam afetados ou o que caracteriza “políticas antiamericanas”.

O Ministério das Relações Exteriores da China criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, enquanto a Rússia destacou que o Brics visa cooperação baseada em interesses próprios e não é dirigido contra terceiros. A África do Sul reforçou que o grupo busca um multilateralismo reformado e uma ordem global mais equilibrada. O Brasil ainda não se manifestou oficialmente sobre as medidas.

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