Após sofrer uma derrota histórica no Congresso, Lula decidiu ligar para os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para tentar retomar o diálogo e reorganizar sua base aliada. A equipe presidencial também considera recorrer ao Supremo Tribunal Federal para reverter a decisão legislativa sobre o decreto do IOF.
Na quarta-feira (25), Lula optou por não contatar os líderes, pois a derrota era vista como inevitável. Agora, aliados defendem que o presidente precisa agir para recompor a base, que se mostrou fragilizada na votação.
Derrota no Congresso expõe fragilidade da base aliada
O governo enfrentou sua maior derrota no Legislativo na votação do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na Câmara dos Deputados, 383 parlamentares votaram contra o decreto, superando os 346 votos contrários registrados na votação da urgência da matéria, um aumento de 37 votos.
No Senado, a votação foi simbólica. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, chegou a cogitar pedir verificação de quórum, mas Jaques Wagner, líder do governo no Senado, optou por não fazê-lo para evitar um placar ainda mais desfavorável e preservar a imagem do governo.
Reações dos líderes e busca por diálogo
Após a votação, Davi Alcolumbre afirmou a interlocutores que o placar seria de 65 votos pela derrubada do decreto, com apenas 15 a favor. Jaques Wagner, ao final da reunião, buscou abrir espaço para o diálogo com o Senado, declarando: “A vida não acaba hoje, a vida segue, o governo seguirá depois de hoje”, ao lado de Alcolumbre.
Alcolumbre também ressaltou que o decreto começou ruim e terminou pior, afirmando que o governo não compreendeu o recado do Congresso de que não aprovaria aumento de imposto.
Estratégias do governo após o revés
A equipe presidencial considera judicializar a derrota, argumentando que um decreto presidencial só pode ser derrubado pelo Congresso quando há extrapolação das funções do Executivo, o que, segundo o governo, não ocorreu no caso do IOF.
Assessores indicam que Lula fará contato primeiro com o presidente do Senado e, em seguida, com o da Câmara, numa tentativa de reabrir canais de diálogo e recompor a base aliada.
Aliados do presidente avaliam que apenas ligações não serão suficientes e defendem uma atuação mais direta de Lula para recuperar o apoio no Congresso, que mostrou sinais de derretimento após a votação.