O dólar abriu a quinta-feira (26) sob influência da decisão do Congresso de derrubar o decreto do IOF, da guerra comercial provocada por Donald Trump e do cenário no Oriente Médio.
O mercado acompanha de perto os desdobramentos políticos e econômicos, enquanto os investidores aguardam possíveis novos acordos dos EUA e a resposta do governo brasileiro ao impacto fiscal da medida.
Indicadores financeiros e cenário internacional
O dólar registra alta de 0,52% na semana, queda de 2,88% no mês e recuo de 10,13% no ano. Já o Ibovespa acumula baixa de 0,98% na semana, queda de 0,92% no mês e alta de 12,87% no ano.
Com o cenário no Oriente Médio mais estável, as atenções se voltam para a guerra comercial desencadeada por Donald Trump. A suspensão de 90 dias do tarifaço está prestes a expirar, e o mercado aguarda possíveis novos acordos dos EUA. O aumento das tarifas sobre importações pode elevar preços ao consumidor e custos de produção, pressionando a inflação e reduzindo o consumo, o que pode desacelerar a economia dos EUA e até causar recessão global.
O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou na terça-feira que aguardará novos estudos sobre os impactos do tarifaço na inflação dos EUA antes de decidir sobre os juros. “Os aumentos de tarifas neste ano provavelmente elevarão os preços e pesarão sobre a atividade econômica”, declarou Powell ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA, discurso reiterado no Senado na quarta-feira. As declarações de Powell têm recebido críticas de Donald Trump, que o chamou de “burro” e “teimoso”.
Impacto da derrubada do IOF e articulação política
O Congresso Nacional derrubou na quarta-feira (25) o decreto presidencial que alterava e aumentava a cobrança do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). A proposta enfrentou resistência desde o início, com o governo recuando parcialmente em alguns pontos.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acelerou a votação ao incluir o projeto na pauta da terça-feira (24). O texto foi aprovado por 383 votos a 98 na Câmara e, horas depois, confirmado pelo Senado. Segundo a equipe econômica, a elevação do IOF era uma das principais apostas para fechar as contas públicas e atingir a meta de déficit zero. Sem os decretos, a estimativa de arrecadação cai em R$ 10 bilhões.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a decisão deve levar o governo a adotar novos bloqueios e contingenciamentos no Orçamento de 2025. Segundo o blog do Camarotti, integrantes do Palácio do Planalto consideram que a derrota expressiva foi resultado de uma articulação inédita entre Hugo Motta e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. A sintonia surpreendeu o governo, especialmente quando ficou claro que o Senado votaria a queda do decreto na mesma noite da aprovação na Câmara.
A avaliação é que a união entre Câmara e Senado fortalece o Legislativo diante do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Motta e Alcolumbre pretendem comparecer juntos a uma audiência com o ministro Flávio Dino, do STF, sobre liberação de emendas parlamentares.