Política

Senado pode votar ainda hoje projeto que revoga decreto do IOF de Lula

Alcolumbre indica possível análise imediata de proposta que anula aumento do IOF para compensar desoneração da folha

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quarta-feira (25) que o plenário pode votar ainda hoje o projeto que revoga o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o IOF.

A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, visa anular a ampliação da cobrança do imposto em operações de crédito, medida adotada para evitar rombo nas contas públicas.

Se aprovada, a revogação entra em vigor automaticamente, sem necessidade de sanção presidencial.

Tramitação e articulação política

O projeto tramita sob a forma de decreto legislativo, o que permite sua entrada em vigor imediata caso seja aprovado pelo Senado. Segundo Alcolumbre, a análise depende apenas do recebimento do texto vindo da Câmara dos Deputados. O líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), também destacou a possibilidade de apreciação da matéria ainda nesta quarta-feira, sinalizando abertura para o avanço da proposta mesmo sendo articulador do governo em pautas econômicas.

Além da questão do IOF, o Senado deve votar hoje projeto que aumenta o número de vagas para a Câmara dos Deputados, com emenda do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que proíbe aumento de despesas sem corte proporcional de gastos. Caso aprovado, o texto volta para a Câmara.

Detalhes do decreto do IOF

O decreto do governo Lula foi publicado no início de junho para compensar, de forma temporária, a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e pequenos municípios. Essa desoneração havia sido prorrogada pelo Congresso, mas suspensa pelo STF a pedido da equipe econômica. Para cumprir exigência do Supremo, o Planalto elevou a alíquota do IOF sobre operações de crédito de 0,0041% para 0,01118% ao dia para pessoas jurídicas e de 0,0082% para 0,01118% ao dia para pessoas físicas, até o fim de 2024.

O decreto do IOF recebeu críticas tanto da oposição quanto de parlamentares da base aliada, que alegam impacto direto no custo do crédito para empresas e famílias e questionam a adoção sem aval do Congresso. A equipe econômica do governo defende que a medida é temporária e necessária enquanto buscam-se alternativas para manter a desoneração da folha sem violar o teto de gastos.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda não confirmou se irá pautar o projeto nesta quarta-feira. Nos bastidores, o Planalto trabalha para ganhar tempo e evitar uma nova derrota política em menos de 24 horas.

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