Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, criticou a condução da votação que pode derrubar o decreto do governo sobre o IOF. A decisão de pautar a matéria sem passar pelo colégio de líderes surpreendeu o Planalto e foi classificada como “grande erro” por parte de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. O governo havia fechado acordo com líderes partidários, mas não esperava a mudança repentina.
Surpresa e críticas à condução da pauta
O deputado Lindbergh Farias relatou que o governo firmou acordo com líderes no domingo (22), não esperando a alteração de postura na votação do decreto do IOF. Segundo ele, a mudança foi anunciada por Hugo Motta no Twitter sem consulta prévia ao colégio de líderes, descumprindo compromisso firmado. Tentativas de contato de Gleisi Hoffmann e outros membros do governo com Motta e Alcolumbre não tiveram sucesso.
Pressão econômica e motivações políticas
Para Lindbergh, a decisão foi influenciada por pressões de bancos, fintechs e empresas de planos de saúde, além de ressentimentos no Congresso após a derrubada dos vetos aos “offshores” e disputas por emendas. “Os muito ricos não querem pagar imposto. Falam em ajuste fiscal só para o povo”, declarou. O deputado vê a votação como antecipação do debate eleitoral de 2026 e estratégia para limitar o orçamento do presidente Lula, criticando também a falta de responsabilidade fiscal do Legislativo.
Reação do governo e impacto político
Lindbergh confirmou que o Planalto tentou reverter a votação, destacando o esforço de Haddad e Lula para manter o equilíbrio fiscal, do qual o decreto do IOF fazia parte. O deputado afirmou que a discussão continuará por meio de medida provisória. Ele também criticou Davi Alcolumbre por sinalizar disposição de votar a matéria sem construção coletiva.
Divisão na base aliada e próximos passos
O líder do PT reconheceu que partidos da base, como MDB, PSD e União Brasil, votaram com a oposição e terão que definir sua posição em relação ao governo. Defendeu que os mais ricos devem contribuir mais, criticando a proposta de isenção de IR até R$ 5 mil enquanto milionários pagam menos proporcionalmente.
Votação na Câmara e relatoria
A Câmara pode votar ainda nesta quarta-feira (25) a proposta que suspende os decretos do governo Lula sobre o IOF. O texto foi incluído de última hora na pauta, gerando forte reação da base. A relatoria ficou com Coronel Chrisóstomo, escolhido por Hugo Motta, em decisão vista como aceno à oposição. O parecer deve propor a derrubada de todos os decretos editados entre maio e junho para reajustar tarifas do IOF, medida criticada pela base governista pelo impacto nas contas públicas.