Israel declarou nesta terça-feira (24) o encerramento de um “capítulo significativo” de sua ofensiva contra o Irã, após uma trégua mediada pelos Estados Unidos e Catar.
O governo israelense informou que o foco agora retorna à Faixa de Gaza, onde o conflito com o Hamas persiste desde outubro de 2023.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que tanto Israel quanto Irã violaram o cessar-fogo, mas exigiu que Netanyahu não volte a atacar Teerã.
Trégua e mediação internacional
O cessar-fogo entre Israel e Irã foi anunciado após intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo a agência Reuters, a trégua foi condicionada à não realização de novos ataques pelo Irã, e o Catar atuou como mediador nas negociações. O Irã, por sua vez, confirmou o início do cessar-fogo após diálogo envolvendo o emir do Catar e autoridades americanas, como o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff.
Apesar do anúncio, Trump declarou não estar satisfeito com o comportamento de ambos os países e ressaltou que, caso Israel volte a bombardear o Irã, será considerada uma “grande violação”. “Israel tem de se acalmar, tenho de fazer Israel se acalmar”, afirmou Trump, ao embarcar para a cúpula da Otan em Haia.
Reações no Irã e Israel
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, celebrou o que chamou de “grande vitória” sobre Israel e os Estados Unidos, declarando o fim do conflito de 12 dias. Em pronunciamento, atribuiu a guerra ao “aventurismo” de Tel Aviv e sinalizou adesão ao cessar-fogo. O aiatolá Ali Khamenei reforçou que “a nação iraniana não é uma nação que se rende”.
Em Israel, as Forças Armadas indicaram que não pretendem retomar ataques ao território iraniano, mas frisaram que a campanha contra o Irã não está encerrada. O chefe das Forças Armadas, Zamir, afirmou que o foco retorna à Faixa de Gaza, com objetivo de resgatar reféns e desmantelar o regime do Hamas.
Desdobramentos na Faixa de Gaza
Com a trégua no confronto direto com o Irã, Israel retoma operações na Faixa de Gaza, onde o conflito com o Hamas já dura desde outubro de 2023. O governo israelense voltou a autorizar a entrada de ajuda humanitária, mas a população local enfrenta dificuldades devido a filas e tiroteios nos pontos de distribuição.
Detalhes do conflito recente
A ofensiva começou em 13 de junho, quando Israel lançou uma operação preventiva contra o programa nuclear iraniano. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra cidades israelenses como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. O conflito resultou em dezenas de mortos e milhares de feridos, a maioria civis, segundo autoridades dos dois países.
No auge da escalada, os Estados Unidos bombardearam alvos nucleares iranianos, com foco na usina de Fordow. O Irã retaliou atingindo uma base americana no Catar, mas os danos foram mínimos e não houve vítimas. Segundo a imprensa americana, o Irã teria avisado previamente sobre o ataque para evitar uma escalada maior.
Bastidores e negociações
As negociações para a trégua envolveram contatos diretos e indiretos entre autoridades americanas, catarianas e iranianas. Trump pediu ao emir do Catar que convencesse o Irã a aceitar o cessar-fogo, após Israel concordar com a proposta. O acordo previa o fim imediato das hostilidades, desde que o Irã não realizasse novos ataques.