Política

Parlamento do Irã suspende cooperação com agência nuclear da ONU após ataques

Decisão ocorre após bombardeios de Israel e EUA e amplia tensão sobre programa nuclear iraniano

O Parlamento iraniano aprovou nesta quarta-feira (25) a suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão de supervisão nuclear da ONU.

A medida ocorre após ataques israelenses e americanos a centrais nucleares do Irã, aumentando a tensão internacional sobre o programa nuclear iraniano.

O governo iraniano acusa a agência e seu diretor de favorecimento a Israel, enquanto os Estados Unidos e Israel divergem sobre a extensão dos danos causados.

Suspensão da cooperação e acusações

Com ampla maioria, o Parlamento do Irã decidiu interromper a colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Irã alega que a AIEA e seu chefe, Rafael Grossi, têm viés político em favor de Israel. A decisão veio após uma série de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas nos últimos doze dias.

Relatório contradiz versão americana

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os bombardeios destruíram totalmente as capacidades nucleares do Irã. No entanto, um relatório confidencial da Defense Intelligence Agency, vazado à imprensa, aponta que o programa nuclear iraniano teria sido apenas atrasado por alguns meses. O documento detalha que apenas as partes superiores das centrais de Fordow e Natanz foram atingidas, sem danos aos edifícios subterrâneos e às principais centrífugas. Além disso, os 400 quilos de urânio altamente enriquecido teriam sido removidos antes dos ataques.

A Casa Branca reconheceu a autenticidade do relatório, mas a porta-voz Karoline Leavitt declarou que ele é “totalmente equivocado” e que o vazamento visa minar o presidente Trump e os militares envolvidos.

Reações e falta de transparência

Reuniões no Senado e na Câmara dos EUA para discutir os ataques foram canceladas, gerando críticas de parlamentares como Hakeem Jeffries, que cobrou transparência sobre a real situação do programa nuclear iraniano. Trump, em sua rede Truth Social, rebateu afirmando que críticas visam enfraquecer seu governo.

O governo iraniano anunciou medidas para garantir a continuidade do programa nuclear, enquanto um conselheiro do aiatolá Khamenei afirmou que o país mantém estoques de urânio enriquecido. O Exército israelense declarou ser cedo para avaliar o impacto dos ataques, mas acredita ter atrasado o programa nuclear iraniano por vários anos.

Cessar-fogo e negociações

O cessar-fogo mediado por Trump entre Irã e Israel permanece em vigor. O emissário americano Steve Witkoff afirmou que as negociações entre EUA e Irã são “promissoras” e que Washington espera alcançar um acordo de paz de longo prazo. Witkoff declarou à Fox News que conversas, inclusive por intermediários, estão em andamento e demonstrou otimismo quanto a um entendimento abrangente.

O conflito entre Israel e Irã teve início em 13 de junho, após bombardeios israelenses com objetivo de destruir o programa nuclear iraniano. Os ataques resultaram em centenas de mortes no Irã, enquanto a retaliação iraniana causou 28 mortes em Israel. O cenário segue tenso, com ambas as partes reivindicando vitórias e sinalizando disposição para negociações.