Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou nesta quinta-feira (26) que não há planos para retomar negociações nucleares com os Estados Unidos. A declaração ocorre após o presidente americano Donald Trump sugerir a retomada do diálogo, interrompido após ataques entre Irã, Israel e intervenção americana.
A sexta rodada de negociações, prevista para 15 de junho e mediada por Omã, foi cancelada após ataques israelenses ao Irã. O país insiste que seu programa nuclear tem fins civis e nega buscar armas atômicas.
Declarações contraditórias e impacto dos ataques
O ministro Abbas Araghchi declarou à TV iraniana que “as especulações sobre a retomada das negociações não devem ser levadas a sério” e reforçou que “ainda não há nenhum plano para iniciar negociações”. A fala contradiz o presidente Donald Trump, que havia afirmado que os países voltariam a dialogar e até mencionou um possível acordo sobre o programa nuclear de Teerã.
O conflito se intensificou após ataques de Israel ao Irã em 13 de junho, seguidos por bombardeios americanos a instalações nucleares e bases militares iranianas. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Trump “exagerou” sobre o impacto dos ataques e celebrou a “vitória” do Irã, dizendo que Israel “quase colapsou”.
Apesar disso, o chanceler iraniano reconheceu danos “importantes” nas instalações nucleares e afirmou que especialistas avaliam os prejuízos, buscando formas de exigir indenização. Segundo especialistas, parte da reserva de 400 quilos de urânio enriquecido pode ter sido retirada e escondida pelo Irã.
Um documento confidencial dos EUA, divulgado pela CNN Internacional, aponta que o ataque atrasou o programa nuclear iraniano apenas alguns meses, e não décadas, como Trump alegou. A Casa Branca reconheceu a autenticidade do documento, mas discordou das conclusões. O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, classificou a operação como “sucesso histórico”.
Cooperação internacional e riscos futuros
As negociações nucleares entre EUA e Irã, mediadas por Omã desde abril, foram suspensas após a ofensiva israelense. Antes da intervenção americana, Israel já havia realizado centenas de ataques contra instalações nucleares iranianas e eliminado cientistas do programa.
A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) declarou ser impossível calcular os danos e pediu acesso às instalações, mas perdeu visibilidade sobre as reservas de urânio desde o início das hostilidades. O Conselho de Guardiões do Irã ratificou um projeto de lei suspendendo a cooperação com a AIEA.
O presidente francês Emmanuel Macron alertou que uma eventual saída do Irã do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) seria “o pior cenário”. Apesar das pressões, o Irã já enriquecia urânio a 60% antes do conflito, próximo ao nível necessário para armas nucleares.