O ataque dos EUA contra instalações nucleares do Irã, realizado no sábado (21), atrasou o programa nuclear iraniano por apenas alguns meses, segundo o The New York Times.
Fontes da inteligência americana, sob anonimato, compartilharam um relatório preliminar que detalha os impactos limitados da ofensiva.
Apesar dos danos em eletricidade e maquinário, a estrutura física das instalações permanece intacta, de acordo com fontes dos EUA e de Israel.
Detalhes do relatório de inteligência
O relatório da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), obtido pelo The New York Times, revela que as entradas de dois dos três locais atacados — Fordow, Natanz e Isfahan — foram seladas. No entanto, as estruturas subterrâneas, onde funcionam os principais laboratórios do programa nuclear iraniano, não colapsaram. Isso significa que, apesar de danos à eletricidade e parte do maquinário, a capacidade de retomada do programa permanece.
Militares americanos afirmaram que múltiplas rodadas de ataques seriam necessárias para causar danos duradouros às instalações nucleares do Irã.
Contradições com o discurso oficial
O relatório contradiz declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que havia anunciado um impacto mais significativo. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, contestou a avaliação, afirmando: “Todo mundo sabe o que acontece quando você joga 14 bombas de 30 mil libras perfeitamente nos alvos: destruição total”. Apesar disso, autoridades americanas reconhecem nos bastidores que os danos, embora significativos, não impediram o Irã de retomar seu programa nuclear em curto prazo.
Operação e contexto militar
Na operação denominada “Martelo da Meia-Noite”, os EUA utilizaram aviões B-2 Spirit, considerados um dos veículos militares mais avançados, com custo estimado de US$ 2,1 bilhões cada. Essas aeronaves empregaram bombas “bunker buster” de 13 toneladas, capazes de penetrar até 60 metros de concreto armado, projetadas para destruir bunkers fortificados como os das instalações nucleares iranianas.
Cessar-fogo e clima de tensão
O cessar-fogo foi anunciado pelo presidente Donald Trump para as primeiras horas de terça-feira (1h da manhã, horário de Brasília). No entanto, relatos de novos ataques em Teerã e trocas de acusações entre os envolvidos rapidamente colocaram o acordo sob incerteza. Trump declarou que tanto Israel quanto Irã violaram os termos da trégua, negociada com participação do Catar, e afirmou estar “insatisfeito com os dois lados”.