Irã e Israel declararam cessar-fogo nesta terça-feira (24), após 12 dias de intensos bombardeios e confrontos no Oriente Médio.
Ambos os países reivindicaram vitória e afirmaram ter atingido seus objetivos militares, enquanto a trégua foi mediada pelos Estados Unidos e contou com o apoio do Catar.
O conflito resultou em cerca de mil mortes e mais de 3 mil feridos, segundo autoridades locais.
Trégua negociada e clima de tensão
O cessar-fogo entre Irã e Israel foi anunciado após uma ligação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A trégua, que entrou em vigor à 1h de terça-feira (horário de Brasília), contou também com a participação do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff. O Catar teve papel importante, com o emir do país sendo consultado após o ataque iraniano a uma base americana em território catariano.
Segundo fontes da Casa Branca, Israel aceitou o cessar-fogo desde que não houvesse novos ataques do Irã. O governo iraniano, por sua vez, sinalizou cumprimento ao acordo. Inicialmente, o chanceler iraniano negou a existência da trégua, mas horas depois a mídia estatal confirmou o início do cessar-fogo.
Apesar da trégua, o ambiente permanece tenso, com ambos os países trocando acusações e declarações públicas de vitória. Especialistas apontam que a disputa se deslocou do campo militar para a narrativa política e diplomática.
Reivindicações de vitória e ameaças
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel “atingiu seu objetivo de eliminar a ameaça nuclear e de mísseis balísticos do Irã” e prometeu responder fortemente a qualquer violação do acordo. O exército israelense confirmou o início do cessar-fogo, mas alertou para a manutenção do estado de alerta.
O Irã, por sua vez, afirmou que o cessar-fogo poderá ser interrompido caso Israel descumpra o acordo. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou ter obtido uma “grande vitória” e acusou Israel de terrorismo. O comando militar iraniano destacou os “golpes devastadores” contra Israel e os EUA.
Os últimos ataques e balanço do conflito
Na madrugada de terça-feira, pouco antes da trégua, a imprensa estatal iraniana relatou o lançamento de mísseis contra Israel. Segundo as Forças Armadas israelenses, ao menos cinco ataques ocorreram antes do cessar-fogo, resultando em quatro mortes e doze feridos em Beersheva. Em Teerã, explosões foram registradas e aviões militares sobrevoaram a cidade.
A ofensiva teve início em 13 de junho, quando Israel lançou uma operação preventiva contra o programa nuclear iraniano. Ao longo dos 12 dias, 974 pessoas morreram no Irã e 28 em Israel, sendo a maioria civis. Israel justificou a ação como necessária para evitar que o Irã obtenha uma bomba atômica.
No fim de semana anterior à trégua, os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas, especialmente a usina de Fordow. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra uma base americana no Catar, mas os danos foram mínimos e não houve vítimas. Fontes americanas afirmaram que o Irã avisou sobre o ataque com antecedência, indicando intenção de evitar escalada.
Após o cessar-fogo, as Forças de Defesa de Israel anunciaram foco na Faixa de Gaza para combater o Hamas e tentar libertar reféns.