Irã declarou nesta terça-feira (24) o fim do conflito com Israel, após 12 dias de combates. O presidente Masoud Pezeshkian classificou o desfecho como “grande vitória” para o país. O anúncio veio após início do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e Catar, e ocorre em meio a tensões e relatos de violações do acordo.
Cessar-fogo sob tensão
O cessar-fogo entrou em vigor nas primeiras horas desta terça-feira (1h da manhã no horário de Brasília), conforme anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump. Apesar do acordo, houve relatos de novos ataques em Teerã e declarações cruzadas entre as partes, colocando a trégua sob incerteza logo no início. Trump afirmou que tanto Israel quanto Irã violaram os termos da trégua, negociada com participação ativa do Catar, e declarou estar “insatisfeito com os dois lados”. O presidente americano ainda afirmou: “Israel tem de se acalmar. Tenho de fazer Israel se acalmar” e alertou em rede social: “Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação.”
Israel diz que foco agora será Gaza
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, confirmou o fim dos ataques ao território iraniano, mas ressaltou que “a campanha contra o Irã ainda não acabou”. Zamir declarou que Israel encerrou um “capítulo significativo” no confronto e que as forças israelenses voltarão a concentrar esforços na Faixa de Gaza, onde enfrentam o grupo Hamas desde outubro de 2023. “Nosso foco agora é resgatar os reféns em Gaza e desmantelar o regime do Hamas”, afirmou.
Papel dos EUA e do Catar na negociação
O anúncio do cessar-fogo foi feito por Donald Trump após ligação com o premiê israelense Benjamin Netanyahu. Segundo a Reuters, o Irã aceitou a trégua após contato mediado pelo primeiro-ministro do Catar, com envolvimento direto de altos funcionários da Casa Branca. Uma fonte oficial americana revelou que o Irã concordou em cumprir o acordo caso não houvesse novos ataques de Israel. Participaram das negociações o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff. O acordo foi alcançado poucas horas depois de o Irã lançar mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, em resposta ao bombardeio das instalações nucleares iranianas pelos EUA.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou que “a nação iraniana não é uma nação que se rende”, sinalizando a intenção do país de manter firmeza mesmo após os ataques americanos e israelenses. O desfecho do conflito é visto pelo governo iraniano como uma vitória estratégica, mas a situação permanece instável diante das tensões regionais e das declarações das lideranças envolvidas.