Vladimir Putin classificou como “infundado” o ataque dos Estados Unidos ao Irã, realizado no sábado contra instalações nucleares. O presidente russo alertou que a ação aproxima o mundo de “grande perigo” e reforçou o apoio ao Irã durante reunião com o chanceler iraniano em Moscou.
O bombardeio americano, coordenado com Israel, atingiu Fordow, Natanz e Isfahan e elevou a tensão na região. O Kremlin afirmou que o episódio inaugura uma nova escalada no Oriente Médio.
Reação russa e contexto do ataque
O presidente russo Vladimir Putin recebeu o chanceler iraniano Abbas Araqchi no Kremlin nesta segunda-feira para discutir o conflito entre Israel e Irã. Putin declarou que “não existe qualquer base ou justificativa” para o ataque americano e que a situação internacional está mudando de forma dinâmica, com envolvimento de Estados de fora da região. “Tudo isso está levando o mundo a um caminho extremamente perigoso”, afirmou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também condenou o ataque, dizendo que ele “inaugurou uma nova espiral de escalada” e aumentou o número de participantes no conflito. Antes dos ataques, Moscou já havia alertado que uma intervenção americana poderia desestabilizar a região e levá-la ao “abismo”.
Em janeiro, Rússia e Irã assinaram um tratado de parceria estratégica, mas sem cláusula de defesa mútua. Peskov afirmou que Moscou ofereceu seus serviços como mediador, dependendo das necessidades do Irã. Putin também anunciou a aceleração da produção do míssil hipersônico Oreshnik.
Detalhes do ataque americano
No sábado, os EUA utilizaram 125 aeronaves militares, mísseis de alta precisão, um submarino e bombas específicas para destruir áreas subterrâneas nas instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan. O presidente americano Donald Trump classificou a operação como “bem-sucedida”. O general Dan Caine informou que a avaliação inicial indica danos severos nas três instalações, corroborados por imagens de satélite mostrando crateras e detritos.
Impactos, vítimas e riscos
A Organização Iraniana de Energia Atômica classificou o bombardeio como “violação bárbara” do direito internacional. Hassan Abedini, vice-diretor político da emissora estatal iraniana, disse que o Irã não sofreu grande golpe porque os materiais já haviam sido retirados das instalações. Não há confirmação oficial de vítimas nos ataques americanos; o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a missão não visou tropas ou civis. Desde o início do conflito entre Irã e Israel, mais de 240 pessoas morreram, podendo chegar a 500 segundo fontes independentes.
Radiação e resposta iraniana
Arábia Saudita e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informaram não haver aumento nos níveis de radiação após o ataque. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que os EUA “devem receber uma resposta” e reafirmou disposição para negociar, mas criticou a postura americana. Analistas apontam que o Irã pode optar por represálias militares, ataques a alvos diplomáticos ou retomar negociações, mantendo contenção estratégica.