Meio ambiente

Empresas de combustíveis fósseis teriam que reflorestar área maior que a América do Norte para zerar emissões

Estudo revela inviabilidade do reflorestamento como única solução para neutralizar emissões das maiores companhias do setor até 2050

Uma pesquisa publicada na Communications Earth & Environment nesta quinta-feira (19) aponta que as 200 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo precisariam reflorestar uma área superior a toda a América do Norte para compensar as emissões de suas reservas até 2050.

O estudo, liderado por Alain Naef, da ESSEC Business School, analisou o impacto potencial das emissões e a viabilidade do reflorestamento como solução. Os resultados indicam que a estratégia é impraticável e não pode ser a única medida para atingir a neutralidade de carbono.

Como foi feita a pesquisa

Os pesquisadores avaliaram o tamanho das reservas de combustíveis fósseis de 200 grandes empresas globais e estimaram quanto dióxido de carbono seria emitido caso toda essa reserva fosse utilizada até 2050. Em seguida, calcularam a área de reflorestamento necessária para compensar essas emissões.

O resultado impressiona: seriam necessários mais de 24,75 milhões de quilômetros quadrados de novas florestas, uma extensão superior à da América do Norte, que inclui Estados Unidos, Canadá e México. Para efeito de comparação, isso representa três vezes o tamanho do Brasil e cinco vezes o da Amazônia brasileira.

Segundo os autores, reflorestar uma área dessa magnitude exigiria eliminar terras agrícolas e até cidades, tornando a proposta inviável tanto do ponto de vista territorial quanto financeiro.

Limites da compensação de carbono

O estudo destaca que a compensação de carbono, frequentemente adotada por empresas do setor por ser de baixo custo, não é suficiente para neutralizar todas as emissões. O reflorestamento em larga escala esbarra na falta de território disponível e nos altos custos envolvidos.

Além disso, especialistas apontam controvérsias sobre a eficácia da compensação, já que nem sempre é possível reduzir emissões no local onde elas ocorrem. A pesquisa reforça que a redução efetiva das emissões deve ser prioridade, e não apenas iniciativas de compensação.

Impactos econômicos e recomendações

Os pesquisadores introduziram o conceito de “valorização ambiental líquida”, que calcula o valor financeiro de uma empresa caso o custo de compensação das emissões potenciais de suas reservas fosse deduzido de seu valor de mercado atual.

Com base no custo médio europeu de compensação em 2022 (US$ 83 por tonelada de CO2), 95% das empresas analisadas apresentariam avaliação ambiental líquida negativa. Isso significa que seria economicamente mais vantajoso interromper a extração de combustíveis fósseis do que tentar compensar as emissões posteriormente.

O estudo recomenda que empresas e governos priorizem políticas de redução de emissões e incentivem a transição energética, pois a neutralidade de carbono não pode depender exclusivamente de soluções naturais como o reflorestamento.