Com a guerra envolvendo o Irã completando cerca de um mês sem resolução à vista, o petróleo voltou a avançar nesta segunda-feira (30) e reacendeu o alerta nos mercados financeiros globais.
O barril do Brent subia 2,38%, a US$ 115,25, pouco antes das 9h. O WTI avançava 2,12%, a US$ 101,75. No Brasil, o dólar abriu em alta de 0,16%, cotado a R$ 5,2496.
O cenário impõe pressão dupla à economia brasileira: o câmbio mais alto encarece importações, e o boletim Focus já elevou a projeção para o IPCA a 4,31% — terceiro aumento consecutivo.
Diplomacia e bombardeios em paralelo
O conflito apresenta um quadro contraditório: enquanto EUA e Irã avançam em negociações, Israel retomou os bombardeios à capital iraniana. O presidente Donald Trump adiou em 10 dias — até 6 de abril de 2026, às 21h de Brasília — o prazo que havia dado para atacar instalações de energia iranianas, após Teerã autorizar a passagem de 10 navios pelo estreito. Ainda assim, a cidade voltou a ser alvo de ataques.
Na reunião do G7, a ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, acusou o Irã de “tomar a economia mundial como refém” ao restringir petroleiros. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve ser pressionado pelos demais membros do grupo a detalhar a estratégia da Casa Branca para o conflito.
Impacto doméstico: diesel, juros e desemprego
No Brasil, o governo federal ainda tenta fechar acordo com os estados sobre a subvenção compartilhada na importação de diesel. A reunião de sexta-feira terminou sem consenso entre as partes.
O boletim Focus desta semana elevou a projeção para o IPCA a 4,31%, ante 4,17% na semana anterior. Com isso, crescem as apostas de que o Banco Central reduza os juros em ritmo mais lento nos próximos meses.
Na frente do emprego, a taxa de desemprego subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, ante 5,4% no período anterior. Segundo o IBGE, 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem conseguir vaga — 600 mil a mais na comparação trimestral. Apesar do avanço, é o menor índice para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
Mercados globais em queda
A principal preocupação dos investidores é que o conflito comprometa por tempo prolongado a produção e o transporte de petróleo e gás no Golfo Pérsico — região que concentra parcela expressiva da oferta global de energia. Um choque prolongado tenderia a pressionar preços e alimentar a inflação em escala mundial.
Nos EUA, Wall Street caminha para encerrar a quinta semana consecutiva de perdas, a sequência negativa mais longa em quase quatro anos. Na Europa, o índice STOXX 600 recuou 0,9% na sexta-feira, a 575,37 pontos, embora tenha acumulado alta modesta de 0,4% na semana.
Na Ásia, o fechamento foi misto: Xangai subiu 0,63%, o CSI300 avançou 0,56% e o Hang Seng ganhou 0,38%. Em contrapartida, Nikkei (-0,43%), Kospi (-0,40%) e TAIEX (-0,68%) encerraram em baixa.
O movimento desta segunda tem raízes no início de março, quando o petróleo ultrapassou US$ 110 pela primeira vez e o bloqueio do Estreito de Ormuz já pressionava o dólar a R$ 5,27 — agora, com o barril se aproximando de US$ 116, o mercado recalibra suas apostas para os juros brasileiros. Quase um mês antes, no sétimo dia de guerra, o fechamento do Estreito de Ormuz havia derrubado bolsas globais e levado o dólar a R$ 5,31 — o mesmo conflito que hoje ainda dita o ritmo dos pregões.
