O Comitê de Política Monetária do Banco Central realiza nesta quarta-feira (29) a reunião em que deve aprovar mais uma redução na taxa básica de juros. A expectativa majoritária do mercado financeiro é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano.
Seria a segunda queda consecutiva da taxa — e a decisão acontece em meio a um ambiente externo turbulento, com a guerra no Oriente Médio pressionando preços ao redor do mundo.
O Copom opera dentro do sistema de metas de inflação: quando as projeções estão alinhadas com os objetivos fixados pelo Conselho Monetário Nacional, o comitê tem margem para reduzir os juros. A leitura atual dos analistas é de que esse espaço ainda existe — mas permanece estreito.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que o Banco Central deve conduzir o processo de corte de forma gradual, com redução de 0,25 ponto percentual nesta reunião. O Itaú Unibanco compartilha essa visão e não espera mudanças relevantes no tom da comunicação do BC após a decisão.
O contexto externo, no entanto, impõe cautela. O conflito no Oriente Médio já havia forçado o mercado a revisar a projeção de inflação para 4,80% no Focus — o mesmo ambiente de incerteza que cerca a deliberação do Copom desta quarta.
A taxa básica elevada tem reflexo direto no cotidiano: é o principal instrumento do BC para conter preços, mas também encarece o crédito e pesa desproporcionalmente sobre a parcela mais pobre da população, que depende de financiamentos para consumo essencial.
Próximos passos do ciclo dependem do conflito global
Mesmo que o corte desta quarta saia como projetado, o ritmo futuro da política monetária está longe de estar definido. Em abril, o diretor de Política Monetária do BC já havia alertado que a guerra no Oriente Médio poderia fechar a janela para novos cortes na Selic — um sinal claro de que o comitê monitora de perto os desdobramentos do conflito antes de cada decisão.
A lógica é direta: o conflito pressiona commodities e câmbio, dois vetores que alimentam a inflação no Brasil. Se as projeções subirem além do tolerável, o BC teria que interromper o ciclo de afrouxamento monetário ou até reverter o curso.
Por ora, o consenso entre as instituições financeiras é de corte, mas o comunicado a ser divulgado após a reunião será lido com atenção pelo mercado — qualquer mudança de tom pode sinalizar o fim antecipado do ciclo de queda dos juros.
