O advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta nesta quarta-feira (29) a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa decisiva para sua confirmação no Supremo Tribunal Federal.
A disputa promete ser voto a voto entre governo e oposição — em escrutínio secreto, que impede saber como cada senador se posicionou individualmente.
Aliados do governo Lula projetam entre 43 e 48 votos favoráveis no plenário, acima do mínimo de 41 exigido para aprovação.
Independentemente do resultado na CCJ, a indicação seguirá para o plenário do Senado. Em ambas as etapas, o voto é secreto — o público só conhece o placar final, não as posições individuais dos parlamentares.
Meses de resistência e bastidores tensos
A indicação de Messias por Lula, em novembro de 2025, ficou represada no Planalto por mais de quatro meses enquanto o governo tentava contornar a resistência aberta de Alcolumbre, que preferia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga. O presidente do Senado chegou a anunciar uma sabatina relâmpago — sem dar tempo para Messias visitar senadores — e se recusou a recebê-lo em audiência oficial em abril.
Os dois se encontraram na semana passada, fora de agenda, na residência do ministro do STF Cristiano Zanin. O encontro contou também com Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, Messias foi lembrado que os últimos placar de sabatinas foram apertados: Paulo Gonet foi reconduzido à PGR em novembro de 2025 com apenas 45 votos.
Interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele não se comprometeu com votos, mas garantiu um processo institucional. O relator Weverton Rocha entregou em 14 de abril parecer favorável à indicação, atestando que Messias cumpre todas as exigências legais e destacando realizações como o Novo Acordo do Rio Doce entre as credenciais do AGU.
Na véspera da sabatina, o PSB formalizou apoio a Messias: o senador Rodrigo Pacheco almoçou com o AGU ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito do Recife João Campos, presidente nacional do partido. Para aliados do governo, o movimento confirma que o grupo político de Alcolumbre está à vontade para votar favoravelmente.
Também na terça (28), o governo empenhou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares — comprometendo-se formalmente com o repasse dos recursos. O PL, principal legenda de oposição, foi o partido que mais recebeu recursos no Senado: R$ 479 milhões.
Apoio simbólico e rito na CCJ
O ministro da Defesa, José Múcio, bloqueou a agenda para acompanhar Messias do início ao fim da sabatina. “Chegarei com ele e ficarei ao lado dele até o fim como um gesto de apoio”, declarou ao g1.
A sabatina de Messias será a terceira e última do dia na CCJ, presidida por Otto Alencar (PSD-BA). Antes, a comissão vota os nomes de Margareth Costa para o TST e de Tarcijany Machado para defensora pública-geral federal. A votação na CCJ só começa com ao menos 14 dos 27 membros titulares presentes.
