A Polícia Federal usou informações de uma sindicância interna do Banco Central para prender o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em ação deflagrada nesta quarta-feira (4).
A nova fase da Compliance Zero resultou também no afastamento de dois servidores do BC: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que chefiavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup).
A apuração interna foi iniciada pelo próprio BC no fim do ano passado. Antes de a PF agir, o banco já havia afastado os dois servidores internamente.
Servidores no centro da investigação
O Desup é o departamento responsável pela estabilidade do mercado financeiro. Paulo Sérgio Neves de Souza já havia ocupado a diretoria de Fiscalização do BC — um dos cargos mais elevados da hierarquia técnica da autarquia.
Na decisão que decretou a prisão preventiva de Vorcaro, o ministro André Mendonça classificou um dos servidores como “funcionário” do banqueiro — indicativo de que, para o STF, havia relação de subordinação entre os afastados e o controlador do Master.
Os dois assinaram documentos que, segundo a investigação, teriam dado sobrevida a negócios suspeitos do Banco Master — papéis que estão agora sob foco da PF.
Histórico que remonta a 2018
A auditoria do BC sobre o Master começou em 2018, quando Vorcaro obteve autorização para adquirir o Banco Máxima, instituição que logo rebatizou como Banco Master.
Desde então, a autarquia acompanhava formalmente as operações da instituição. A sindicância aberta no fim de 2025 marcou uma virada nessa relação: o próprio regulador passou a investigar dois servidores que deveriam fiscalizar o banco — e que, segundo a PF, teriam agido em sentido contrário.
A sindicância interna do BC alimentou a decisão que levou o ministro André Mendonça a decretar a prisão preventiva de Vorcaro e o bloqueio de R$ 22 bilhões — terceira fase de uma operação que Mendonça herdou após o ministro Toffoli pedir a redistribuição do caso.
Na véspera da prisão, o mesmo Mendonça havia tornado facultativa a presença de Vorcaro na CPI do Crime Organizado — decisão que gerou questionamentos sobre a sincronia com o fechamento do cerco pela PF.
O episódio expõe uma falha sistêmica de supervisão: servidores responsáveis por regular o Banco Master teriam atuado, conforme a investigação, em benefício da própria instituição que fiscalizavam. A apuração sobre a extensão do esquema e outros possíveis envolvidos segue em andamento.