Economia

Fraudes de R$ 12 bi derrubam o Banco Master e mandam Vorcaro de volta à prisão

CDBs com até 177% do CDI e carteiras de crédito falsas expõem esquema que forçará o FGC a desembolsar R$ 51 bilhões

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela terceira vez nesta quarta-feira (4) em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

A investigação mira um esquema que inclui fabricação de carteiras de crédito falsas, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas atribuídos a uma organização criminosa. Segundo a PF, as fraudes podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

O Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno — todos do mesmo grupo — foram liquidados pelo Banco Central. O Fundo Garantidor de Créditos precisará desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir os clientes prejudicados.

CDBs acima do mercado: o sinal que o mercado ignorou

O alerta mais visível da crise foram os CDBs do Banco Master com remunerações de até 120% do CDI — que chegaram a 177% durante a corrida de vendas que antecedeu a liquidação. Taxas assim não refletem generosidade: sinalizam risco.

O planejador financeiro Jeff Patzlaff explica o mecanismo: para pagar 150% do CDI a investidores, o banco precisaria emprestar a 200% ou 300% do CDI — o que só é viável quando o tomador de crédito é recusado por todas as demais instituições. A consequência direta foi a exposição a ativos podres: projetos duvidosos e precatórios judiciais incertos.

Sem acesso a crédito barato de grandes bancos — que já haviam interrompido repasses por inconsistências contábeis —, o Master passou a disputar o bolso do investidor pessoa física com promessas de rendimento irresistíveis, com o objetivo de cobrir rombos operacionais crescentes.

Carteiras de crédito fabricadas

As investigações da PF, iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, apontam para algo mais grave do que má gestão: a fabricação de carteiras de crédito falsas. Na casa de apenas um dos investigados da Operação Compliance Zero, foram encontrados R$ 1,6 milhão em espécie.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou ao Senado durante audiência na CPI do Crime Organizado que a operação atua em conjunto com o Banco Central e o Coaf. Ao todo, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

A tentativa de venda de 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões — que formaria um conglomerado com R$ 100 bilhões em ativos — foi barrada pelo Banco Central após questionamentos do Ministério Público do Distrito Federal e falta de transparência. O Master ainda obteve linha emergencial de R$ 4 bilhões do FGC, renovada duas vezes, antes de finalmente ter a liquidação decretada.

O cerco da Justiça e o timing revelador da prisão

A prisão de Vorcaro teve uma cronologia que chamou atenção nos bastidores jurídicos. Na véspera da operação, o ministro André Mendonça, do STF, havia tornado facultativa a presença do banqueiro no depoimento agendado na CPI do Crime Organizado — esvaziando o poder coercitivo da comissão sobre ele. No dia seguinte, foi a própria Polícia Federal que fechou o cerco em São Paulo.

Foi o mesmo ministro quem assinou a ordem de prisão autorizada pelo STF, após assumir a relatoria do inquérito. A redistribuição do caso ocorreu porque o ministro Dias Toffoli pediu o afastamento da relatoria após seu nome aparecer em dados extraídos do celular do próprio Vorcaro. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens ligados ao grupo — e as investigações apuram ainda uma possível conexão entre a origem dos recursos investidos na SAF do Atlético-MG e o PCC.

O que acontece com os clientes do Master

A maioria dos investidores ficou protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em produtos como CDB, LCI, LCA e poupança — incluindo os rendimentos acumulados até a data da liquidação. De um total previsto de R$ 51 bilhões, já foram pagos R$ 37,2 bilhões a 653 mil credores do Master, o equivalente a 84% do total.

Quem tinha valores acima do teto do FGC integra a lista de credores da massa falida e só receberá conforme os ativos do banco forem vendidos pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. Com as reservas do fundo reduzidas — que antes superavam R$ 140 bilhões —, o FGC estuda antecipar contribuições dos bancos associados e negociar com o Banco Central o uso parcial do compulsório para recompor o caixa.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Segundo paciente morre após colonoscopia na mesma clínica em RO

Lula lidera todos os cenários no Datafolha, mas vantagem para 2026 encolhe

Flávio Bolsonaro encosta em Lula: vantagem cai de 15 para 3 pontos no Datafolha

Defesa de Vorcaro exige perícia independente de celulares no STF