Negócios

Agrishow 2026 fecha com queda de 22% nos negócios em meio a juros e guerra

Feira movimentou R$ 11,4 bilhões — R$ 3,2 bi abaixo de 2025 — enquanto pré-candidatos usaram o evento como palanque eleitoral
Pré-candidatos e governo em meio à queda negócios Agrishow 2026 afetada por crise global

A Agrishow 2026 encerrou a edição desta semana com R$ 11,4 bilhões em negócios, queda de 22% frente aos R$ 14,6 bilhões de 2025. A maior feira de tecnologia agrícola do Brasil aconteceu em Ribeirão Preto (SP) e confirmou o pior momento do setor de máquinas e implementos em anos.

Altas taxas de juros e a guerra no Oriente Médio foram os fatores centrais para explicar a retração. Os resultados espelham a queda de 20% nas vendas do setor no primeiro trimestre, segundo a Abimaq.

O público não recuou: 197 mil visitantes circularam pelo evento, mesmo número de 2025, mas os corredores mais vazios revelaram um comprador mais cauteloso.

Juros e guerra encarecem o campo e freiam investimentos

A retração nos negócios da Agrishow 2026 não é isolada. No primeiro trimestre, as vendas de máquinas e implementos agrícolas recuaram 20% no país, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O cenário combina dois vetores: o crédito caro e a pressão nos custos de produção.

As altas taxas de juros encarecem o financiamento de equipamentos e reduzem o apetite dos produtores por novos investimentos. Do lado dos insumos, o Brasil importa 88% dos fertilizantes que consome, e a guerra no Oriente Médio fez a ureia acumular alta de 67% desde o início do conflito — encarecendo exatamente os custos que corroem a margem do produtor.

“Sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis”, afirmou João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow. A próxima edição está marcada para 26 a 30 de abril de 2027.

Ilhas de resultado positivo dentro da queda geral

Nem todas as empresas saíram do evento no vermelho. A Tritucap, de Sertãozinho (SP), voltou à feira após sete anos com uma tecnologia para erradicação de lavouras de café de forma sustentável e vendeu três vezes mais do que o previsto. A Herbicat, fabricante de pulverizadores inteligentes, registrou mais de 300 contatos e afirmou ter vivido a melhor Agrishow de toda a sua história.

A Coopercitrus organizou transporte de produtores de regiões distantes e registrou movimentação recorde em seu estande, que representa até 20% do faturamento anual da cooperativa. A Massey Ferguson apostou em consórcios com condições especiais, descontos e benefícios como revisões gratuitas para atrair compradores num cenário de crédito restrito.

Feira vira palco eleitoral para 2026

A dimensão política da Agrishow cresceu com a proximidade das eleições presidenciais. O evento se tornou parada quase obrigatória para quem busca aproximação com o agronegócio.

Na abertura oficial, no domingo (26), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas. Na segunda-feira, foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) marcarem presença — a visita conjunta foi a primeira agenda oficial de pré-campanha dos dois, sinalizando coordenação para a disputa presidencial de outubro.

Nos dias seguintes, passaram pela feira Romeu Zema (Novo-MG), que criticou o STF, Ronaldo Caiado (PSD), que questionou a aproximação de políticos com o setor apenas em época eleitoral, e Aldo Rebelo (DC), que sugeriu um “emendão” para desbloquear obras travadas pelo Judiciário.

Nos estandes, a disputa foi pela atenção de um produtor cada vez mais técnico e objetivo. Só em ativações e ações promocionais, a agência BP One movimentou R$ 5 milhões, operando marcas como Valtra — com 3,5 mil m² de área expositiva — e Baldan, com 4 mil m².

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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