O Partido da Causa Operária (PCO) confirmou o jornalista Rui Costa Pimenta como candidato à Presidência nas eleições de outubro. A decisão foi aprovada por unanimidade em convenção nacional em Brasília, na quarta-feira (5), em documento enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pimenta, nascido em São Paulo, disputa pela quinta vez o Planalto — já concorreu em 2002, 2006, 2010 e 2014. A chapa é “puro-sangue”, com Antônio Carlos Silva como vice.
Quinta candidatura e discurso de ruptura
Segundo o Diário da Causa Operária, publicação oficial do partido, a candidatura de Rui Costa Pimenta busca se diferenciar dos demais nomes que, segundo a sigla, apenas “administram o mesmo sistema político”. O PCO se apresenta como alternativa fora do arco governista, disputando o eleitorado de esquerda ao lado de outras legendas independentes.
É a quinta vez que Pimenta tenta a Presidência — antes, concorreu em 2002, 2006, 2010 e 2014. Casado e com ensino superior completo, ele integra o partido desde sua fundação e atua como jornalista e redator.
Três dias após a convenção em Brasília, o PCO realizou o lançamento público da candidatura neste sábado (8), na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo. No evento, Pimenta, de 69 anos, classificou a campanha como “antissistema” e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao sistema eleitoral brasileiro. “As eleições não vão mudar o país, não vão mudar absolutamente nada. Precisamos combater a ilusão eleitoral”, declarou o candidato. No mesmo ato, o partido apresentou formalmente Antônio Carlos Silva, de 63 anos, professor de matemática da rede estadual paulista, como vice-candidato. Pimenta também defendeu a causa palestina, afirmando que a questão deve ocupar posição central no debate político nacional e internacional.
Investigação do STF no inquérito das fake news
Rui Costa Pimenta e o PCO já foram alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news. Ele prestou depoimento à Polícia Federal em junho de 2022, quando a corporação apurou postagens em redes sociais do partido com ataques a instituições democráticas, entre elas o próprio STF.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, defendeu à época que era necessário avaliar se a estrutura partidária do PCO, financiada com dinheiro público, estava sendo usada para promover ataques à democracia.
Esquerda fora da aliança governista
A candidatura do PCO integra um movimento maior de partidos de esquerda que optaram por lançar candidaturas próprias em vez de aderir à coligação encabeçada pelo governo federal. Na mesma janela de convenções, o PCB confirmou Edmilson Costa como candidato à Presidência, reforçando a fragmentação do campo à esquerda para outubro.
Com chapa “puro-sangue” — formada só por filiados do próprio partido —, o PCO aposta em manter a identidade histórica de oposição a governos de diferentes matizes, incluindo o atual. Segundo a legenda, a intenção é “defender um programa próprio, independente da burguesia, e utilizar a campanha eleitoral como instrumento de organização e mobilização dos trabalhadores”. A definição antecipada do nome de Pimenta permite ao partido iniciar cedo a articulação da campanha e da coleta de assinaturas de apoiamento exigidas pela legislação eleitoral.