O partido Missão confirmou no sábado (1º), em São Paulo, a candidatura de Renan Santos à Presidência da República. O evento no Komplexo Tempo, na Zona Leste da capital, ratificou a escolha do candidato, já anunciada em formato online em 20 de julho após ameaças de facções criminosas.
Ao lado de Renan estará o vice Aroldo Medina, militar da reserva, que prometeu comandar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, caso a chapa vença o pleito de outubro.
Segurança pública é bandeira central
Renan Santos, de 42 anos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e ex-aluno de Direito da USP, defende o endurecimento de penas para crimes violentos e a criação do chamado Direito Penal do Inimigo, mecanismo que retiraria a presunção de inocência de integrantes de facções identificados ou flagrados com fuzis. As propostas de segurança já haviam sido detalhadas dez dias antes do evento, quando a campanha divulgou o plano de governo “O futuro é glorioso”, que prevê superpresídios nos moldes de El Salvador e o fim das favelas do país em dez anos.
No discurso da convenção, Renan foi além do programa escrito e anunciou metas numéricas para o mandato: reduzir os homicídios anuais de mais de 30 mil para menos de 10 mil, transformar 6 mil favelas em bairros regulares e retirar 8 milhões de pessoas de assentamentos precários. Sobre a política criminal, foi direto: “Nós vamos matar quem roubar”.
No evento, o Missão lançou também o “Livro Amarelo”, conjunto de seis fascículos produzidos por mais de 200 voluntários ao longo de dois anos. Segundo o deputado federal Kim Kataguiri, cofundador do partido, o material propõe o “maior ajuste fiscal da história do Brasil”, de R$ 3,3 trilhões em dez anos, superando o Plano Real. No discurso, Renan estabeleceu ainda metas econômicas para o mandato: juros abaixo de 6% e superávit nominal, além de ter 9 em cada 10 crianças alfabetizadas nas escolas públicas.
Como candidato oficial, Renan passa a contar com proteção da Polícia Federal. Ele afirma ter interrompido uma agenda no Ceará após ameaças de duas facções e relata episódios semelhantes em São Paulo, onde mora, e no Rio de Janeiro. A candidatura chega embalada por forte apoio popular: Renan lidera o ranking nacional de vaquinhas eleitorais, com mais de R$ 1,1 milhão arrecadados de cerca de 19 mil doadores até o início de julho.
Na mesma convenção, Renan rejeitou o rótulo de “antipetista” e atacou nominalmente tanto o presidente Lula (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL). “Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: ‘veja só, eu sou o oposto do Lula’. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera”, afirmou. Sobre Flávio Bolsonaro, foi mais direto: chamou-o de “farsante, fraco e corrompido” e disse que o senador “foi colocado na eleição pelo Lula” para perder no segundo turno.
O Missão também apresentou candidatos a governador em nove estados — Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Pernambuco — e ainda não fechou alianças com outras legendas. O partido, criado pelo MBL com mais de 800 mil assinaturas, recorde entre novas siglas, disputa sua primeira eleição. Os partidos têm até 5 de agosto para realizar convenções e até 15 de agosto para registrar candidaturas na Justiça Eleitoral; a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto.