Política

Renan Santos diz que vai fatiar PEC fiscal para negociar com Centrão

Candidato do Missão chama parlamentares de 'parasitas', mas admite que vai precisar da base aliada para aprovar reformas no Congresso
Renan Santos negocia PEC fiscal com Centrão em frente ao Congresso Nacional

Renan Santos (Missão) afirmou nesta quarta-feira (5) que, se eleito presidente, vai negociar apoio do Centrão no Congresso Nacional para aprovar sua agenda fiscal — mesmo classificando os parlamentares do bloco como ‘parasitas’.

A declaração foi dada durante sabatina ao g1 e à GloboNews, quando o candidato tratou da PEC Fiscal articulada por seu aliado, o deputado Kim Kataguiri, e admitiu fatiar o texto para facilitar a tramitação no Congresso.

PEC fiscal e a base de apoio no Congresso

Renan Santos reconheceu que, mesmo sem integrar o ‘sistema’ político tradicional, precisará dialogar com o Centrão para viabilizar sua agenda econômica. ‘Eu vou ter que conversar. Eu vou ter que negociar e compor com membros deste Parlamento. Eu sou um democrata’, declarou, fazendo questão de separar isso de ‘negociações não republicanas’.

Entre as medidas defendidas pelo candidato estão a desvinculação de recursos da saúde e da educação e a desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A proposta já constava no plano de governo divulgado por Renan em julho, quando o candidato apresentou a chamada PEC do Equilíbrio Fiscal e projetou economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.

A articulação no Congresso passa por Kim Kataguiri, deputado do Missão e aliado próximo de Renan, responsável por tentar avançar a proposta entre os parlamentares. Na convenção que oficializou a candidatura de Renan, Kataguiri chegou a anunciar o que classificou como ‘o maior ajuste fiscal da história do Brasil’, de R$ 3,3 trilhões em dez anos.

Série de sabatinas com presidenciáveis

A entrevista integra uma sequência com os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. Lula (PT) foi sorteado para abrir a série, na terça-feira (4), mas não compareceu. Romeu Zema (Novo) é entrevistado nesta quinta-feira (6), Ronaldo Caiado (PSD) na sexta (7) e Flávio Bolsonaro (PL) tem sabatina prevista para segunda-feira (10), ainda sem confirmação de presença.

O ‘drama fiscal’ citado por Renan tem um capítulo recente: três semanas antes da sabatina, o Senado aprovou por 73 votos a 1 uma PEC que adiciona R$ 27 bilhões em despesas ao longo de dez anos — pacote que o próprio candidato classificou como ‘sabotagem’ ao próximo governo.

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