O porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, afirmou nesta terça-feira (28) que houve “xingamentos dos dois lados” na crise diplomática entre Argentina e Brasil, aberta depois que o presidente Javier Milei chamou Lula de “ladrão”.
Segundo Ravier, as divergências entre os governos são de natureza política e ideológica, mas não foram levadas por Buenos Aires ao campo diplomático.
Como começou a crise diplomática
O atrito começou depois que Milei participou da convenção do PL, partido de Flávio Bolsonaro, durante o evento de lançamento da pré-candidatura dele em São Paulo. No discurso, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão”, classificou o ministro do STF Alexandre de Moraes como “lixo careca” e criticou o governo e a economia brasileira.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas, medida usada em momentos de tensão entre países. O Itamaraty já havia convocado o embaixador argentino após as mesmas ofensas de Milei durante a convenção do PL.
Depois do episódio, autoridades dos dois países trocaram novas farpas. Nas redes sociais, Milei republicou posts de apoiadores que acusam Lula de ter interferido nas eleições argentinas de 2023.
Do lado brasileiro, integrantes do governo também rebateram as falas do presidente argentino. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de “palhaço”, um dos episódios citados pelo porta-voz argentino ao falar em ofensas “dos dois lados”. Lula, por sua vez, evitou ampliar o confronto ao comentar o caso publicamente.