Meio ambiente

Agronegócio cobra prevenção após eventos climáticos extremos no Brasil

Associação defendeu lei que dispensou o setor de licenciamento ambiental e agora cobra ação do poder público
Defesa Civil atua em área alagada, destacando a urgência da prevenção a eventos climáticos extremos no Brasil.

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) pediu nesta segunda-feira (27) que autoridades locais e federais reforcem a prevenção e a resposta a eventos climáticos extremos, depois que temporais atingiram o interior de São Paulo e o Rio Grande do Sul.

O pedido foi motivado pelas fortes chuvas que destruíram imóveis, deixaram feridos e uma morte em Ribeirão Preto, além de prejuízos a lavouras de cana-de-açúcar, soja, milho e frutas na região.

A entidade também manifestou solidariedade aos produtores gaúchos atingidos pelas chuvas recentes, que ameaçam a produção de alimentos e biocombustíveis no Rio Grande do Sul.

Pedido de reforço na prevenção

Em nota, a ABAG defendeu que o poder público esteja preparado para o gerenciamento de emergências climáticas, com investimentos estruturais e financeiros capazes de reduzir os impactos das chuvas sobre lavouras, pastagens e a população.

“É fundamental que as autoridades locais e federais estejam preparadas para o gerenciamento de emergências climáticas […] e, principalmente, resguardem os produtores rurais vitimados pelas enchentes de 2025 que, até hoje, amargam um alto nível de endividamento e enormes dificuldades para recuperar suas lavouras nesta nova safra”, afirma a associação.

Mesma entidade defendeu lei que afrouxou o licenciamento

A situação em Ribeirão Preto e no Rio Grande do Sul já vinha sendo monitorada: a Defesa Civil Nacional havia reconhecido emergência em 17 municípios gaúchos por causa das mesmas chuvas intensas que agora preocupam a ABAG. A entidade, no entanto, é a mesma que assinou carta pedindo a sanção integral do PL do Licenciamento Ambiental, lei que dispensou boa parte da produção agropecuária de estudos de impacto ambiental.

Lei está sob análise do STF

A flexibilização do licenciamento ambiental, apontada por ambientalistas como o maior retrocesso da legislação ambiental do país em 40 anos, é alvo de três Ações Diretas de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal — as ADIs 7913, 7916 e 7919, movidas por partidos e entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA). Todas tramitam sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

O episódio expõe uma contradição: a mesma ABAG que hoje cobra preparo do poder público para emergências climáticas apoiou meses antes a norma que reduziu exigências ambientais justamente para o setor que agora pede proteção contra os efeitos do clima.

Dias antes do temporal em Ribeirão Preto, a Associação Brasileira de Municípios já havia lançado um guia gratuito de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos, na mesma linha do reforço em preparação que a ABAG agora cobra das autoridades. O pedido também ecoa um diagnóstico do Unicef, que identificou 333 municípios brasileiros em situação de vulnerabilidade severa a eventos climáticos extremos.