A EMS colocou nas farmácias brasileiras nesta semana a primeira caneta de semaglutida fabricada no país. O Ozivy, lançado após a queda da patente da substância, chega com preço inicial de R$ 452 por unidade.
A distribuição começou pelas capitais na segunda-feira (15) e deve alcançar cobertura nacional até julho. No primeiro ciclo de abastecimento, a empresa disponibilizará mais de 500 mil canetas em farmácias de todo o país.
Como funciona a semaglutida
A semaglutida imita um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. A substância estimula a liberação de insulina, reduz a produção de glicose pelo fígado e retarda o esvaziamento do estômago — mecanismos que, juntos, ajudam a controlar o nível de açúcar no sangue e reduzir o apetite.
Preços e pacotes disponíveis
Cada caneta do Ozivy custará R$ 452. A EMS também propôs um pacote com duas canetas de 1,0 mg por R$ 896, mas essa opção ainda não tem data prevista para chegar às prateleiras.
A chegada às farmácias é o desfecho de um processo regulatório inédito: a Anvisa aprovou o Ozivy pela modalidade de desenvolvimento abreviado, caminho específico para moléculas complexas como a semaglutida, que não se encaixam no rito dos genéricos tradicionais.
O preço de R$ 452 cumpre a promessa que a EMS havia feito ao mercado: quando a CMED fixou o teto regulatório do Ozivy no mesmo patamar do Ozempic, a empresa já havia anunciado que praticaria valores 30% abaixo da concorrência estrangeira.
Mercado em movimento
A queda da patente reorganizou o setor. A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, reduziu preços para tornar sua versão mais competitiva diante das versões nacionais. A Eurofarma, que produz o Extensior e o Poviztra — também à base de semaglutida —, anunciou redução de preços na mesma movimentação.
A pressão já se sentia antes mesmo do lançamento do Ozivy: a Eli Lilly anunciou descontos superiores a R$ 1 mil no Mounjaro em resposta à chegada iminente da semaglutida nacional ao mercado.
Para as doses de início de tratamento, os pacientes encontram no mercado medicamentos com preços entre R$ 399 e R$ 599, intervalo que reflete a disputa crescente entre produtos nacionais e importados na classe dos GLP-1.
